© Paulo Abreu e Lima

terça-feira, 15 de maio de 2012

isto não tem nada de anti-monárquico ou coisa que o valha

Parece que hoje,  Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Chefe da Casa Real Portuguesa, Duque de Bragança, faz sessenta e sete anos. Talvez esteja bem conservado, mas há mais de trinta anos que lhe dou a mesma idade. Sessenta e sete anos, por exemplo.

domingo, 6 de maio de 2012

Nem verde, nem azul, a lua d'hoje é da Virgínia

(ISO 100, Abertura f/9, Velocidade 1/160s, 400mm)

A lua (dizem os ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma ideia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa,
De sentir e de pensar.
Sim, todos os meus reveses
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando
Fernando Pessoa, "A Lua (dizem os ingleses)", não datado

terça-feira, 1 de maio de 2012

Hoje


Nestes últimos dias não compreendi muito bem quem, erguendo merecidas palavras de homenagem, fez sempre a ressalva «embora eu não seja da mesma área política, o Miguel foi uma enorme pessoa (…)». Não entendo esta reserva, nem a necessidade de a fazer. Um homem como Miguel Portas não carece deste tipo de cautelas, um Homem como Miguel Portas é muito maior do que a sua própria dimensão política – por mais apreciável e valorosa que tenha realmente sido. Aliás, acho que nunca me senti tão de esquerda como na semana transata. O seu legado político é a melhor parte de Abril. Conjuga determinação com tolerância; combatividade com respeito; igualdade com profunda consideração pela diferença. Respectiva e concomitantemente. Fossem todos os políticos uma décima parte do Miguel e Decência seria o melhor epíteto para política. Mas hoje dirijo-me especialmente à sua família, à Helena, por quem nutro uma desmedida admiração: grande parte daquilo que o Miguel foi é da vossa responsabilidade. Como pais e como irmãos. Assim como grande parte do que os filhos do Miguel serão é da responsabilidade do seu pai. Sois uma família exemplar, alicerçada em inalienáveis valores absolutos, que privilegia e enaltece qualquer português. A outra parte é intrinsecamente do Miguel. E na hora da sua despedida, ao dar indicações muito precisas de como queria ser lembrado e homenageado, mitigou de certa forma o desespero e a angústia dos seus: façam isto e onde quer que esteja, estarei feliz. Ao amor correspondeu com amor.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Um grande Homem, um Homem bom


Sem palavras, os meus mais profundos sentimentos para toda a sua família, mormente para a sua mãe.

domingo, 15 de abril de 2012

machismo estrito (i)

A aferição da mulher ideal não está naquilo que eu poderia fazer com ela mas naquilo que ela poderia fazer comigo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Del

Isto da amizade tem muito o que se diga. Algumas deviam vir acompanhadas de um tutorial em forma de protocolo. É que às vezes, no remanso da partilha, não são os braços que encontramos abertos.

domingo, 8 de abril de 2012

Boa Páscoa

Gosto muito da ideia ancestral pagã de Páscoa. Não obrigatoriamente herege ou descrente, mas mágica e incônscia. O advento da transformação, abundância e prosperidade, mesmo em tempos adversos – raios de involução regional –, requerem precisa contemplação. Deslumbramento. O pulsar da Natureza em nada difere do dos corações. Os anseios replicam-se e repetem-se; as vontades avolumam-se e as essências cumprem-se. Como um relógio cósmico, a cada toque ocorre um desejo e, com ele, a mecânica faz uso do meio e do fim. Ou, como a vida, é a físico-química…

[Fotografias tiradas na madrugada de Sábado – lua cheia, batráquios curiosos – sem tripé]

The Piano by Michael Nyman on Grooveshark 






sexta-feira, 30 de março de 2012

da má coincidência

A verrina do meu post abaixo provocou danos. Pessoa amiga avisou-me; fui verificar e confirmei: determinado blogue passou a privado. Há muitos anos atrás também pertenci a uma comunidade privada. Chamava-se o "Templo da Amizade" (recuso-me a dissertar sobre o nome), uma espécie de obediência maçónica restrita à entrada do comum dos internautas. O novo membro deveria ser apresentado por um outro, sénior, respeitando valores éticos, morais e de bons costumes, consubstanciados no ideal de paz, fraternidade, lealdade, aperfeiçoamento pessoal e realização pelo trabalho. Tudo caminhava bem até à inesperada entrada do transgressor, do lobo com pele de cordeiro, do belzebu, da besta. Confesso que se em muitos o dedão lhes escorrega para a chinela, em mim o id resvala para a desfaçatez. Há quem goste e há quem não – feitios. Avante. Em tempos idos, fiz questão de lhe mostrar a minha embirração com epifanias. Não gosto do sentido anglo-saxónico da palavra e implico com a sua versão cristã. Se no primeiro caso, a concepção de uma última peça do puzzle só pode ser irresponsável, no segundo, qualquer aparição divina revela-se provocatória. Acresce, para cúmulo, que terá escrito uma das outras palavras que mais desprezo e também referi: olvidar. Epílogo, enfiou a carapuça, o barrete e o solidéu. Tenho pena. Nada do que foi escrito nesse post foi dirigido. Longe disso, demasiado distante, extremamente remoto. Mas tenho pena. Do cinismo prefiro o estoico, o despojado, o de Diógenes.

P.P. Agradeço todos os comentários subsequentes ao post, mas por motivos excepcionais não os vou publicar, sendo esta entrada encerrada. Obrigado por toda a Vossa atenção.

terça-feira, 27 de março de 2012

do bocejo

Eu, sujeito medonho atento à mediania melíflua, muitas vezes ainda pasmo com o que leio. Ele é «epifanias», «perenidades» e «inolvidáveis». Às vezes, tudo junto numa só frase, perenes epifanias inolvidáveis, inolvidáveis epifanias perenes, epifanias perenes e inolvidáveis. Até parece que processos cognitivos mais densos prescindem de estrelas caducas olvidáveis, ou Kekulé precisava de ter comido o rabo da cobra – não prescindem, nem necessitava.

Meus caros, buscam erudição semântica? Criatividade espessa inenarrável? Pareceres diáfanos abrangentes? Jungir o que gostariam de ter sido com o que majestaticamente são? Boa. Agora é só fazerem o contrário.

quinta-feira, 15 de março de 2012

desta luz que até cega

[Aos olhos de um incauto europeu do norte, a aproximação à Portela constitui ensaio último. Ante-estreia da felicidade. Aos meus, aquela viragem à direita sobre a ponte garrida do imenso Tejo aviva o cheiro a casa, a peixe grelhado com sabor atlântico, a café curto e robusto com graça africana, a canela do Ceilão e a caril de Damão. A luz de Lisboa é enorme, junta todos os continentes, mas deixou fugir a parte mais alegre e recôndita da alma com quem dela se ausentou.]

Gaivota by Amália Rodrigues on Grooveshark

sábado, 3 de março de 2012