© Paulo Abreu e Lima

segunda-feira, 11 de junho de 2012

sábado, 9 de junho de 2012

Euro 2012 (i)

É sintomático, só ultrapassado o temor reverencial é que passamos a jogar melhor. Sempre demasiado tarde. Isto aplica-se aos energúmenos comentadores da rtp: primeiro era a «poderosíssima alemanha», depois a «alemanha desorientada». É uma "coisa" que se lhes dá.

'tadinho do Pepe, teve de responder à pergunta "o que sentiu quando o seu remate foi à barra?" Se fosse a ele teria respondido... (esqueçam)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Euro 2012 - memorando

A nossa selecção é capaz de tudo. Dos mais sublimes vexames às mais piedosas glórias. Excepto ganhar um só campeonatozinho. Será sempre nesta perspectiva que a partir de amanhã os nossos jogos deverão ser encarados, sob pena de deixarmos de ser este alegrete à beira-mar soterrado. Vencer o Europeu seria impensável. Escabroso. É que era só mesmo o que mais nos faltava aguentar mais umas jarras condoídas, sensíveis e piegas… Vá, andor!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O céu do meu tio Luís

Quando era pirralho, desesperava os meus pais e tios com rajadas de perguntas sobre o sol, o céu e as estrelas, entre outras sobre a natureza em geral e os dinossáurios em particular. Curiosamente, era o meu tio Luís quem mais se empolgava com as minhas pertinentes questões bio-astrofísicas. Tinha vivido uma vida intensa no Congo Belga, numa multinacional, pelo que selva, répteis e céus africanos era assunto sério, digno de chamada a primeiro plano, anterior às inúmeras guerras facínoras que por lá presenciou e que por cá o traumatizou, até ao dia de sua morte eivado por gânglios linfáticos.

Ainda hoje preservo extensa correspondência entre nós, desde a minha primária até ao meu secundário, altura em que veio definitivamente jazer ao seu país que tão mal o tinha tratado. Do alto do seu metro e oitenta e picos, mantinha uma figura impecável. Cabelo branco, suavemente azulado, estirado para trás com ajuda de brilhantina francesa tenuemente perfumada que importou durante décadas. Cútis ligeiramente queimada por África. Pernas e pés longos, à holandês. Sem surpresa, era alvo de fulminante interesse por parte das senhoras mais púdicas da alta burguesia da metrópole, cada vez que por lá se deslocava e permanecia dois meses por ano com a sua legítima, minha tia, Tia Ritinha. Era um homem letrado pela vida, e pela faculdade de arquitectura de Bruxelas, profusamente conhecedor de todo o tipo de volumes e de planos, embora nunca tivesse desdenhado outro tipo de curvas.

«Léopoldville, 29 de Setembro de 1978

Mui estimado e querido sobrinho, (…) em boa verdade o céu não tem cor, foi pintado pelo mais escuro breu obscurantista. Se durante o dia vês azul, é devido à refracção da luz branca solar nas moléculas da atmosfera, onde predominam os raios azuis e turquesa do arco-íris. A camada da atmosfera é nossa amiga, funciona como um prisma de quartzo, idêntico aos que encontraste com esmero na quinta, e decompõe a luz branca nas sete cores. Quando te levantas e vais para o colégio, ou quando voltas depois do Pôr-do-sol, o horizonte é vermelho-laranja porque o sol esboça uma tangente sobre a Terra e os seus raios percorrem mais espaço e mais partículas, desviando para cima os azuis, encaminhando para os teus olhos aquelas cores maravilhosas de fogo ardente quente. A atmosfera e as nuvens cuidam de todos nós, o Sol é a fonte da Vida, as estrelas observam-nos intermitentemente durante a noite, mas o céu, esse é macaco perigoso, imenso, escuro e egoísta (...)»

Se assim for, espero que se encontre em paz. Pelo menos com o gorila.


(Exif: ISO 100, D.F. 300 mm, Abertura f/5,6, T.E 1/160s)

sábado, 2 de junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Passo e não fico, como o universo

Nos meus momentos de desespero não tomo ansiolíticos, não fumo três cigarros seguidos, nem sorvo um whisky triplo sem gelo. Saio de casa, olho a pique o zénite e espreito o céu. Se conseguir ver as estrelas, sei que muitas delas já morreram, ou já não brilham como agora as vejo há milhões de anos. Mas também sei que muitas entretanto nasceram e alguma partícula de pó meu, algures, há-de lá parar. Como o universo, não fico, mas permaneço.

[ a fotografia seguinte é de longa exposição, tem uns milhares de segundos, não é photoshopada - como nenhuma minha que por aqui publico -, mas apenas acompanha o rasto das estrelas mortas tal como, mesmo há pouquinho, o meu desespero...]

The Hours by Philip Glass on Grooveshark 



terça-feira, 15 de maio de 2012

isto não tem nada de anti-monárquico ou coisa que o valha

Parece que hoje,  Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Chefe da Casa Real Portuguesa, Duque de Bragança, faz sessenta e sete anos. Talvez esteja bem conservado, mas há mais de trinta anos que lhe dou a mesma idade. Sessenta e sete anos, por exemplo.

domingo, 6 de maio de 2012

Nem verde, nem azul, a lua d'hoje é da Virgínia

(ISO 100, Abertura f/9, Velocidade 1/160s, 400mm)

A lua (dizem os ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma ideia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa,
De sentir e de pensar.
Sim, todos os meus reveses
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando
Fernando Pessoa, "A Lua (dizem os ingleses)", não datado

terça-feira, 1 de maio de 2012

Hoje


Nestes últimos dias não compreendi muito bem quem, erguendo merecidas palavras de homenagem, fez sempre a ressalva «embora eu não seja da mesma área política, o Miguel foi uma enorme pessoa (…)». Não entendo esta reserva, nem a necessidade de a fazer. Um homem como Miguel Portas não carece deste tipo de cautelas, um Homem como Miguel Portas é muito maior do que a sua própria dimensão política – por mais apreciável e valorosa que tenha realmente sido. Aliás, acho que nunca me senti tão de esquerda como na semana transata. O seu legado político é a melhor parte de Abril. Conjuga determinação com tolerância; combatividade com respeito; igualdade com profunda consideração pela diferença. Respectiva e concomitantemente. Fossem todos os políticos uma décima parte do Miguel e Decência seria o melhor epíteto para política. Mas hoje dirijo-me especialmente à sua família, à Helena, por quem nutro uma desmedida admiração: grande parte daquilo que o Miguel foi é da vossa responsabilidade. Como pais e como irmãos. Assim como grande parte do que os filhos do Miguel serão é da responsabilidade do seu pai. Sois uma família exemplar, alicerçada em inalienáveis valores absolutos, que privilegia e enaltece qualquer português. A outra parte é intrinsecamente do Miguel. E na hora da sua despedida, ao dar indicações muito precisas de como queria ser lembrado e homenageado, mitigou de certa forma o desespero e a angústia dos seus: façam isto e onde quer que esteja, estarei feliz. Ao amor correspondeu com amor.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Um grande Homem, um Homem bom


Sem palavras, os meus mais profundos sentimentos para toda a sua família, mormente para a sua mãe.

domingo, 15 de abril de 2012

machismo estrito (i)

A aferição da mulher ideal não está naquilo que eu poderia fazer com ela mas naquilo que ela poderia fazer comigo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Del

Isto da amizade tem muito o que se diga. Algumas deviam vir acompanhadas de um tutorial em forma de protocolo. É que às vezes, no remanso da partilha, não são os braços que encontramos abertos.

domingo, 8 de abril de 2012

Boa Páscoa

Gosto muito da ideia ancestral pagã de Páscoa. Não obrigatoriamente herege ou descrente, mas mágica e incônscia. O advento da transformação, abundância e prosperidade, mesmo em tempos adversos – raios de involução regional –, requerem precisa contemplação. Deslumbramento. O pulsar da Natureza em nada difere do dos corações. Os anseios replicam-se e repetem-se; as vontades avolumam-se e as essências cumprem-se. Como um relógio cósmico, a cada toque ocorre um desejo e, com ele, a mecânica faz uso do meio e do fim. Ou, como a vida, é a físico-química…

[Fotografias tiradas na madrugada de Sábado – lua cheia, batráquios curiosos – sem tripé]

The Piano by Michael Nyman on Grooveshark