© Paulo Abreu e Lima

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cascatas e cachoeiras portuguesas (iv)


 
 
Não é lá muito fotogénica – só é possível fotografar, em toda a sua extensão, de longe –, mas está inserida numa paisagem granítica ímpar, Serra da Freita, onde caprinos, ovinos e bovinos coabitam no remanso do alto, a 900 metros de altitude. É a maior de Portugal e de toda a Europa (exceptuando os três países escandinavos), de forma que não estamos perante uma cascata ou cachoeira padrão, mas de uma imponente catarata (75 metros em queda livre), mais alta que muitas do Iguaçu e do Niágara. O nosso país pode ser pequeno, mas tem de tudo.
 
Cascata da Frecha da Mizarela, Arouca

terça-feira, 7 de maio de 2013

Cascatas e cachoeiras portuguesas (iii)

Por convicção, não sou chegado a premonições. Por natureza, trago-as comigo. Começava a ficar preocupado com a última, era mázinha, arrastava consigo um assombro, adornado de receio, não muito comum na palete de sombras com que tinjo inabilmente pecados adâmicos.

Chegado à terriola, encosto à berma e pergunto a um pequeno grupo de convivas onde se encontra a cascata da Pedra da Ferida:
 
– Se fosse a si não ia… – aprontou-se o mais festivo.
– Porquê…? É perigoso? Há assaltos por lá…? – Indaguei inquieto.
– Assaltos? Isto é tudo gente de família! Mas se fosse a si não ia…
 
Ainda fiquei à espera de um "mas o senhor é que sabe…". Em vão. Indicaram-me, visivelmente incomodados onde ficava a dita, e repetiram sequencialmente um a um: "eu não ia, eu não ia, eu não ia…"

Posso perder-me numa categórica premonição, mas nunca fui homem para virar costas a vontades. Sobretudo às intrigantes. Sabia que grande parte do trajecto era um trilho pedestre ao longo da Ribeira da Azenha e nos primeiros trezentos metros tudo parecia fácil. Um caminho estreito, mas bem definido; uma flora exuberante, muito verde; passarinhos a cantar e trutas selvagens a chapiscar, viçosas e enérgicas, águas acima. Os safados dos velhotes não me queriam mostrar o seu tesouro, pensei lampeiro.


Decorridas aquelas três centenas de metros, senti os pés molhados, as pedras de musgo mais viscosas e escorregadias, a ribeira muito mais abaixo, em que qualquer pedrinha que se desprendesse a cada meu passo demorava uns bons segundos a cair na água. Mais: o barulho das trutas viçosas passou a assemelhar-se ao de um imenso réptil que me acompanhava silencioso e paciente lá do fundo. A própria paisagem, agora mais densa, deixou paulatinamente o verde vivo e emergiu parda, agreste a fugir para o azul-cinza, surgindo escarpas de difícil escalada, aqui e ali deixando abrir pequenas frestas donde saíam frágeis arbustos que em nada ajudavam a ascensão abrupta. Não fora a placa rachada com a indicação de 150 metros e tinha desistido. Desistir não é bem o termo, havia toda uma subida que tinha de ser descida e, ao contrário do provérbio, a descer todos os demónios empurram… Teimoso, cheguei. Avistei duas cascatas gémeas, uma em cima da outra, cada uma com mais de vinte metros. Despenhavam-se sobre uma grande bacia de água escura e gélida, donde por instantes surgiam do fundo enormes bolhas de ar: só podia ser o medonho bicho que me acompanhou, o verdadeiro protegido dos aldeãos. Ou a minha premonição...
 
Cascata da Pedra da Ferida, Espinhal, Penela

De resto, a descida foi pacífica e calma, sem pressas, contemplativa, muito suave e, principalmente, sem medos.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

bola

Há mais de 25 anos que não vou a um estádio. O último que fui, foi ao antigo Estádio de Alvalade, no meio da claque da JUVE LEO (na altura, liderada pelos meus amigos João e Gonçalo Rocha, uns betinhos). Ia com uma namoradita; hoje vou com outra. Sou um conservador.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Cascatas e cachoeiras portuguesas (ii)

Esta merece música:
 
 
O nome do local não augurava nada de bom: Silva Escura. E o nome da cascata dava azo a diversas aliterações: cabreira, cambreia, cabrunheira, cabr... bom, nunca acertava no nome da maldita. Mas tudo o que é belo é simples. Uma minúscula aldeia cuja única rotunda (há sempre uma rotunda onde há um português) era um pedregulho, quiçá caído de um transitário que por lá se descuidou. À volta, um café central (uma redundância, porque naquele sítio tudo é central), uma farmácia e um pavilhão polidesportivo (eu  é que não sou o presidente da junta). A menos de um quilómetro de distância e duzentos metros de profundidade estávamos nas Caraíbas.
 
Cascata da Cabreia, Sever do Vouga
 

Cascatas e cachoeiras portuguesas (i)

Quando catraio não percebia por que é que a água não corria toda de uma só vez e não se esgotava. Por vezes demorava horas a mirar à espera que tal acontecesse: alguém deixou soltar água do monte, há-de acabar na última gota. Mas esperava debalde. A sonoridade mantinha-se com a mesma cadência; a quantidade, com a mesma energia e as gotículas no ar colavam-se-me à cara. Com a benevolência dos sábios e a bonomia de outra idade, o meu tio Luís fazia-me pensar: já viste algum rio parado, que não corresse para o mar, ou para se juntar a outros rios, irmãos maiores? As cascatas não passam de rios ou ribeiras que correm na vertical em busca de novos parentes. Não param, ansiosas. Anos mais tarde havia de constatar, aturdido, ante a imponência das duzentas e setenta e cinco cataratas do rio Iguaçu; depois, ante as do rio Niágara. Dissiparam-se as dúvidas, mas manteve-se a inebriante contemplação por qualquer queda de água natural. Esse incontornável lastro de Vida.
 
Esta série pretende dar conhecimento de algumas cascatas portuguesas – muitas escondidas pela vegetação e fauna próprias daqueles acidentes.

Cascata da Pantanha, Canas de Senhorim, Viseu
 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Disse que me amava

 


Utilizo o verbo gostar com a frequência adequada; o verbo adorar com a parcimónia da rendição, mas amar só com bisturi e sob intervenção. Namoro-a há já algum tempo, sem predicados nem complementos. Creio-a simplesmente presente, como a minha mão sobre o meu peito ou como o meu coração, quando deixa de bater compassado, semi-enterrado à altura do chão. Não pertenço ao seu mundo, nem à sua atmosfera deserta, mas sabendo-a lá em cima previsível, a serenidade se me entranha constante, como um relógio parado, que livre se deixa levar pelo tempo. Em Bagdad, Lisboa ou Auckland; tapado ou a descoberto. Depois deixa-se povoar e encher de pensamentos. Promessas, juras cruzadas e consentimentos. Faz-se térrea, quente, gelada e húmida; ilumina silêncios profundos, sepulta medos e desfaz-se em segredos.
 
Sóis há muitos, mas luas só uma. A minha é eloquente e desassombrada, mas ao certo não lhe pergunto nada. Às vezes, simplesmente acompanha-me e eu retribuo, olha-me conhecedora e eu correspondo - retribuo e correspondo sempre. Outras, é mera dama de companhia que me segura a mão na cabeceira da cama e conta-me histórias vernianas até o entorpecer mimado.

Não há nada melhor do que um corpo celeste e quase inerte curioso pelo traço indelével do nosso olhar.

terça-feira, 16 de abril de 2013

domingo, 14 de abril de 2013

O algodão, digo, a flor da cerejeira não engana

 
 
É oficial: chegou a Primavera. E não há forma mais infalível de saber. Não é a chegada das primeiras andorinhas, o aulido macabro dos gatos no cimo dos telhados de Março ou a frondosidade canária das giestas. Podem ser prenúncios, auspícios, promessas, mas não há nada mais certo do que as irrepetíveis duas semanas das cerejeiras em flor branco-neve, em Alcongosta. Fujam as bruxas, os góticos pós-modernos e os fatídicos do chá de hipericão. Chegou a Primavera; um dia, o Verão.
 
 
 
 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

precipício

 


 

Se fosse preciso, os livros ensinavam, dos clássicos aos de cordel. Há, contudo, quem nunca tenha percebido: a vida é um caminho que bifurca repetidas vezes, demasiadas vezes, e, a espaços, deixa mesmo de ser carreiro; só quedas sem repetição. Muitas magoam, outras não. Mas o que é isso da dor e do sofrimento? Balelas. O caminho continua, com ou sem elas. A destreza de o percorrer depende quase sempre de o que com ele levamos. Sim, porque nós próprios somos concomitantemente caminhos e quedas profundas, com eco, e há sempre alguém disposto a nos calcorrear e a cair nos braços – ou nas costas –, indiferente ao nosso alvedrio. Disse balelas? Não, muitas vezes somos mesmo só dor e angústia; mas outras, a ponte pedestre de toros entre as escarpas altas do Indiana Jones, que se estira e balanceia a cada passo. E aquele súbito desenlaçar das cordas é a nossa mais previsível e perfeita perdição.


terça-feira, 9 de abril de 2013

locais fora do mundo (i)



Existe uma pequena aldeia nas funduras do distrito de Coimbra, ali pelo sopé da Serra do Açor, entre a Estrela e a Lousã, onde até há bem pouco tempo não havia estrada ou trilho que guiasse uma junta de bois, quanto mais uma carroça. O caminho em terra batida mais próximo finava a doze quilómetros; de resto, só mesmo a pé, esgardunhados pelo mato e picados pelas abelhas. Local perfeito para os foragidos da lei, para os eremitas do ânimo e para uma outra espécie de gente. Os indígenas. Ao largo da aldeia, sempre iluminada pelo sol como uma auréola envolta por nesgas de nuvens, uma lenda hórrida pairava no negrume da serra. Diogo Lopes Pacheco, um dos três assassinos de D. Inês, logrou fugir à morte certa e acabou os seus dias por aquelas paragens. Os dois mui nobres comparsas, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves, não foram muito longe, tombaram quentes para os lados de Santarém sob as ordens de D. Pedro. Hoje em dia, ainda constam alguns Lopes Pachecos pela pequena aldeia, descendentes do mandatado de D. Afonso IV. Gente de bem, presumo, que o ano de 1355 vai longe e as mesmas máculas não perduram por tantas gerações.
 
Quis conhecer um.
 
Vindo de Coimbra, atravessei inúmeras vezes o Mondego, margem a margem, ao longo de Vila Nova de Poiares. Já no interior, começavam a surgir povoações com nomes estranhos: Cerdeira, Avô, Côja, Benfeita, Pardieiros. E por fim, Piódão!


Ao longe, parece uma aldeia-presépio, com casinhas de xisto e telhados de lousa. Todas as janelas e portas são azuis – ao que dizem, a única cor de tinta que primeiro chegou ao lugarejo. As ruas são sinuosas e estreitas, medievas; as escadas, íngremes; tudo em pedra, tudo impecavelmente limpo. À excepção da praça, onde confluíam turistas em busca de artesanato, queijadas, mel e licores de castanha, medronho e zimbro, as ruelas interiores permanecem desertas. As pouquíssimas pessoas que encontrei eram esquivas, ariscas, viravam costas aos forasteiros, e refugiavam-se nos lares. Encontrei uma anciã de casaco azul-bebé (ficava mais convincente se usasse xaile preto, mas dessas não havia) e perguntei alto: "Conhece o Lopes Pacheco, minha senhora…?". Fugiu. Ainda fui atrás dela, mas desaparecia em cada esquina, em cada ruazinha, em cada beco. "Diabo, será que o mui nobre não era varão viril e não deixara visível descendência?", cogitei baixinho.




Cansado de tanto subir e descer, de tanto espreitar e ver nada, surge ao longe outro ancião – bem-apessoado, o homem! – e perguntei: "Posso fotografá-lo…?". Respondeu "depende, quanto me dá?". Sorri e perguntei como se chamava.
 
– Chamo-me José Lopes Pacheco, tenho oitenta anos e sou de Piódão! E o senhor donde vem?
– Chamo-me Paulo e venho de Lisboa…
– De Lisboa? Lamento profundamente.
 
Voltei a sorrir, falava com um piodonense (ou lá como se chama um habitante de Piódão) mas, muito mais, falava, com uma considerável margem de segurança, com um verdadeiro Lopes Pacheco, com um pentaneto dum tetraneto dum trineto dum hexaneto(?) do mui nobre assassino Diogo Lopes Pacheco.


Decorrida a amena cavaqueira, despedi-me, desci para a praça e bebi um delicioso licor de castanha – soube-me pela vida.

Entretanto escureceu, "ala que se faz tarde"! Mas não sem antes voltar a avistar a aldeia: os Lopes Pachecos vivem num presépio.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Curso? Gestão de Recursos Imateriais Recicláveis

Há mais de vinte anos, quando ainda tirava a licenciatura, já verificava que havia um enorme desfasamento entre as universidades portuguesas e os empregadores. As primeiras, mormente com o surgimento das privadas, inventavam novos cursos, novos currículos, novas cargas teóricas; os segundos almejavam e prosseguiam a prosperidade e a subsistência em concorrência protegida. Ambos, de costas permanentemente voltadas, envolviam-se em provincianos complexos de superioridade: as universidades arrogavam-se como únicos núcleos privilegiados de conhecimento, em que lançar licenciados, mestres e doutores pela porta fora era o único e último desiderato; as empresas, criam-se a "verdadeira escola da vida", privilegiando a experiência e o know-how e diabolizando e despeitando o conhecimento teórico. Em grande medida, hoje em dia, este divórcio permanece teimoso nos cérebros das referidas entidades: um recém-licenciado não tem experiência profissional; o empreendedor/empresário desvirtuou (ou simplesmente não tem) a teoria na ponta da língua. Malgrado todos os esforços, através de intercâmbios, colaborações e projectos, no sentido contrário.

 Aos que procuram o primeiro emprego foi-lhes sistematicamente vendida a ideia de que o canudo era uma espécie de salvo-conduto para a entrada no mercado de trabalho. Mesmo que nele constasse um diploma em Gestão de Recursos Imateriais Recicláveis. Mas mais. Em muitas faculdades, a única saída profissional seria sempre assegurada pelo Estado. Um exemplo? Professor. Ao terceiro ano de faculdade, a par das explicações que dava, concorri para professor em três disciplinas (Matemática, Economia e História) e fui admitido em cinco liceus no distrito de Lisboa (só não exerci porque entretanto a minha vida seguiu outro caminho)! Não sou contra quem queira obter uma licenciatura, custe o que custar (desde que estude, já agora), na área de conhecimento mais exótica, mas que ninguém espere emprego pela simples apresentação do diploma e que, muito menos, o Estado (falido ou pujante), em última instância, tenha o dever de o assegurar. É a geração mais bem preparada de sempre? Fácil, há vinte anos qualquer licenciado era um doutor. É a que mais sofre com este desemprego estrutural? Chato, há excesso de habitações, estradas e rotundas para mais engenheiros e arquitectos, e demasiados bancos, seguradoras e consultoras para mais gestores e economistas.

O agora "embaixador" do programa Impulso Jovem, Miguel Gonçalves, tem basicamente dois grandes defeitos. Aquela pronúncia de Monção (solúvel) e o padrinho que o encontrou. De resto, é bem capaz de ser um bom exemplo de empreendedorismo para muitos jovens (e menos jovens), num país de rabos gordos adoçados pela tristeza de viver à conta e por conta dos pais e dos avôs, ou dos subsídios, tanto faz. E pena, pena, tenho eu dos nossos velhinhos, incapazes de ir a tantos concertos de Verão. Com franqueza!

terça-feira, 2 de abril de 2013

arrufo de namorados...?

Há muito tempo que não vejo estes programas (discussões sobre discussões sobre qualquer coisa ligada à pior parte do futebol), mas ontem parece que valeu a pena - sim, às vezes gosto de uma boa peixeirada em directo.  Futebol e politiquices fazem dos homens muito parecidos com algumas mulheres (ressalvo o "algumas")... E que tristeza, céus!


* É o terceiro vídeo que reponho aqui. Parece que a SIC reivindica direitos de autor. Faz bem, reporei as vezes que forem necessárias.

terça-feira, 26 de março de 2013

cortesã, saloia e desavergonhada

 
 
 
Acredito que há bem mais de uma década que não percorria aquele caminho. Pelo menos assim, com a alma por cima, iluminando estradas e trilhos escurecidos pelas nuvens e pelas horas tardias que não passam mas ficam. Mentira. Nunca tinha partido do Cabo da Roca, do fim da côa mais alta da cordilheira da Serra da Estrela, serpenteando a Adraga, a Praia Grande e a Das Maçãs. A Serra, mais à frente, prossegue igualzinha sobre os carris do eléctrico. Mística e romântica como outrora, inspiradora como sempre.



D. Fernando de Saxe Coburg-Gotha, segundo rei consorte de D. Maria II, de origens bávaras, apaixonou-se perdidamente por aquela inédita beleza saloia; onde príncipes, reis, corte e outros burgueses rumavam de Lisboa – e do resto da Europa – em busca de bosques e campo, sombra e frescura verde luxuriante, no pico do Verão. Quase todos os palácios, palacetes e chalets foram edificados no esplendor romântico do século XIX (só o Castelo dos Mouros é medieval), mas foi D. Fernando, o rei artista, que das ruínas do antigo convento da Nossa Senhora da Pena, mandou construir um dos mais belos palácios europeus. O Palácio Nacional da Pena sintetiza, com os seus mais díspares estilos arquitectónicos, o auge de toda uma época etérea, fervilhante, em que pontificam e coabitam arte, literatura e estética; muros de musgo e líquenes, seculares carvalhos debruados por viçosas heras. Lá de baixo, já perto das faldas, ouvem-se, desde o século XII, as barganhas de galinhas e faisões vivos, queijos frescos e queijadas quentes e porcelanas pintalgadas da Feira de São Pedro.

Ninguém passou indiferente. Leiam:
«Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, e nunca vi nada, nada, que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor - e, lá no alto, está o Castelo do Santo Graal.»  Richard Strauss  
«O mais abençoado lugar de todo o globo habitável»   Robert Southey 
 «Custou-me separar-me do meu caro e generoso amigo José e de toda a beleza de Sintra»  Hans Christian Andersen
«A vila de Sintra na Estremadura é, talvez, a mais bela do mundo inteiro» «Eis que em vários labirintos de montes e vales / surge o glorioso Eden de Sintra. / Ai de mim! Que pena ou que pincel / logrará jamais dizer a metade sequer / das belezas destas vistas (...)?»   Lord Byron
«No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor, Era no primeiro plano o terreno, deserto e verdejante, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente; e, emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda a cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro (...)»  Eça de Queiroz