quarta-feira, 3 de julho de 2013
terça-feira, 2 de julho de 2013
Sem apelo nem agravo
Concorde-se ou não, bem ou mal, foi Vítor Gaspar, sob intervenção externa, quem ditou a presente austeridade. A partir de agora serão os credores internacionais que a vão prescrever. À miúda réstia de soberania que nos restava, em grande parte devido à credibilidade internacional do ex-Ministro das Finanças, sucederá uma tomada firme estrangeira. A sobrecarga de sacrifícios que se avizinha não terá paralelo com o histórico anterior. Se já andávamos de gambiarra na mão, doravante só nos resta sentir o lento e plúmbeo crepitar das cinzas. É no que dá brincar com bombinhas de carnaval em forma de missivas. Agora sim: fujamos ou seremos mortos.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
noites de Verão em Lisboa (ii)
"- Demoraste muito tempo a chegar à minha vida..."
"- Pois, nunca pensei que algum dia surgisses na minha."
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
decorridos cinco dias de calor...
... é muito incoerente dizer que com aquela ventania e aquele friozinho de há dias é que se dormia muito bem... e que o Verão só é bom para quem gosta de praia e águas geladas e de mostrar a desgraçada da barriguinha? Ou só é aceitável pronunciarmo-nos, vá lá, um mês depois...?
quinta-feira, 27 de junho de 2013
contra factos não há argumentos, Arménio
... a greve de hoje foi um tremendo sucesso. Com esta mobilização toda, não tenho a menor dúvida que é desta que o Governo vai cair!
segunda-feira, 24 de junho de 2013
fazer amor ou fazer sexo...?
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| (fotografia nocturna de longa exposição - 4:00h) |
Estas duas expressões são absolutamente ridículas. Não se faz amor, dá-se e recebe-se. Não se faz sexo, praticam-se relações sexuais. Fazer amor, como fazer sexo, não passa de um eufemismo serôdio e estrangeirado que pretende significar actos sexuais, expressão que também repudio; faz-me lembrar actos notariais que obrigam ao pagamento de emolumentos, transação que, convenhamos, nos remete de imediato para qualquer coisa que tem de ser paga e, lá está, não combinando muito bem com o tal fazer amor, é desde os primórdios muito condizente com fazer sexo.
Para significados específicos, devemos usar expressões exactas. Copular é muito científico (vamos copular, querida…?), fazer o coito ou coitar (do latim, coitus, união) soa estranho – vamos fazer um coito interrompido, linda…? Fornicar, palavra muito antiga, soa a castigo e vingança (…então, forniquei-o todo!). Resta-nos uma miríade de calão que, como tem sido meu hábito, me abstenho de escrever. Ou não, veremos. Os brasileiros, exímios malabaristas da língua portuguesa, usam comumente transar (a popozuda transa…?). É certo que deriva de transacção, mas não de qualquer uma, tem de ser gostosa (‘tou transando sua música, cara…).
Por fim chegamos à palavra certa, a qual, muitas vezes, segue em inglês. Dizem que não fere tanto as susceptibilidades alheias: fuck.
A sua origem, muito obscura, é praticamente desconhecida. Como o OK, surgiram alguns acrónimos justificando a sua origem. O mais conhecido conta-nos que durante a grande peste negra, na idade média, tinha de existir consentimento real no seio das populações para procriar com vista a não disseminar a doença. Casais não contaminados levavam com uma tabuleta na porta da casa com a frase "Fornicating Under Consent of King"… Julga-se, contudo, que todos os acrónimos têm por base uma etimologia falsa e a origem da palavra virá das gentes da Dinamarca e da Alemanha.
Não deixa, porém, de ser intrigante que a palavra certa – agora em português – foder mantenha dois significados tão distintos: penetração sexual e tramar alguém. Melhor, não será bem assim. À luz de uma sociedade predominantemente machista, preconceituosa e expiatória faz todo o sentido cogitar, depois de uma relação íntima que se quer satisfatória e especial, quem é que afinal fodeu quem.
Se calhar, prefiro mesmo o ridículo fazer amor.
Ou talvez não.
domingo, 23 de junho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
Verão vago
| (fotografia diurna de longa exposição, 30 seg.) |
Ontem o solstício apareceu-me com o anti-histamínico, numa galra que mais parecia um sedativo para o nervo óptico do que uma reprimenda certa à estúpida da alergia. Vi paisagens estranhas, coisas estranhas, pessoas estranhíssimas. Logo ontem, o meu dia dilecto, detentor de mais de dezasseis horas de luzeiro celeste, onde o hábito antigo de degustar um jantar tardio, devoto à maresia de duas flutes de verde Minho esboroou-se numa penada. E que saudades, senhores, do pirilampear dos vaga-lumes junto aos chorões purpuríferos das dunas ao pé do estrado, do sol laranja a rolar pela linha esticada do horizonte até cair borda fora do mundo plano dos escritos medievais, e até da melga, da mesma parvalhona, que não me larga a orelha sã e irrigada. Logo ontem, no dia certo, não tinha olfacto, paladar ou tacto. As águas do mar não passavam de nuvens de fumos que encobriam seixos verdes e rochedos amarelos e o céu, cor de nada, só me enviava uivos de vento sem cânticos, sem algas nem murmúrios.
Hoje, dizem, está diferente, está azul quente e virá clarão lunar, mas o raio do anti-histamínico permanece voraz, varre tudo e diz nada.
E, por enquanto, faz-me calar.
terça-feira, 18 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Greve: eficácia e responsabilidade
Em qualquer país democrata ocidental o direito à greve está consagrado nas Leis como um dos instrumentos disponíveis pelos trabalhadores nas negociações com as entidades patronais sob o intuito de obter melhores condições de trabalho, remunerações e/ou outras regalias. Pode ainda assumir um meio de combate preventivo contra tomadas de posição unilaterais pelos empregadores, inserindo-se assim no pacote dos direitos de um trabalhador na esfera do vínculo do contrato laboral. Deve, ainda, ser considerado último reduto após negociações falhadas, onde se esgrimiram cedências de parte a parte.
A eficácia de uma greve é substancialmente diversa consoante os sectores em que são perpetradas.
No sector privado é eficaz quando atinge directamente a entidade patronal, na exacta medida em que esta vê diminuída a produtividade da sua empresa e, por consequência, o lucro. Os danos infligidos aos clientes e aos fornecedores são questionáveis num regime de concorrência aberta, pois estes dispõem sempre, por definição, alternativa. Já no sector público empresarial, dada a especificidade de alguns mercados, os danos acabam por ser muito mais abrangentes, afectando clientes, fornecedores e, em última análise, todo o país. No sector dos transportes, por exemplo.
Há contudo um outro sector à parte cuja função vai muito além da cousa pública; constitui o cerne basilar de toda a comunidade, confundindo-se com ela mesma; é força centrífuga da organização e coesão social e humana e sem o qual jamais existiria civilização. Nele está o médico, o juiz, o polícia e… o professor. Em todos eles há mais do que uma profissão, muito mais do que um estatuto e ainda mais do que uma missão. Salvaguardando todos os direitos, em todos eles coabita um dever. É que pode haver quem cure, quem decida, quem salvaguarde e quem ensine; mas não há médico sem paciente, juiz sem culpado ou inocente, polícia sem ladrão e professor sem aluno. Não se trata de relações de dependência, mas de muitas relações de existência.
Neste sentido, fazer greve às avaliações e aos exames é subjugar deveres e direitos ao crivo de espúrias dependências. É sonegar o norte a quem não tem bússola. É não ser professor, mas colaborador a dias.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Às estrelas, deixem o Céu (iii)
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| Fotografia nocturna de longa exposição (duração 3:00h) |
Não gosto de excessos. Particularmente de pessoas excessivas. Excesso de bondade, de solicitude, de agressividade, de frontalidade. Excesso de qualidades e excesso de defeitos. Não me suscitam repulsa, reparem – as únicas coisas neste mundo que me repugnam são a indiferença e a estupidez, esta atrás da outra –, mas desinteresse, e eu não gosto de desapegos. A minha atitude diante do excesso é singela: egresso. Dois exemplos diametralmente opostos. Uma zaragata comicieira com permuta de vitupérios e um assédio camuflado de cortesia. Em ambos viro as costas e tranco a porta. Há contudo excessos que me tiram do sério; o da superioridade do alheamento é o maior deles todos, uma espécie de desinteresse interessado onde predomina uma pontinha de esperteza rústica que me sulca a razoabilidade e me faz voltar atrás, abrir a porta e cravar dois berros. Depois de administrada, a coisa compõe-se. Em não havendo excessos.
De resto, exulto-me com o equilíbrio mediano da harmonia meridional, tentando e deixando viver, pois tudo isto já é bastante curtinho e apertado para demasias (lá está), e os vírus, como os cometas, andam por aí.
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