© Paulo Abreu e Lima

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Alguns parques e jardins de Paris


 
 
 
Jardin du Luxembourg
 


 
Jardin des Tuileries




Pormenor de um jardim suspenso na Place de l'Étoile

 
 
Parc de Monceau
 



 

domingo, 25 de agosto de 2013

as gárgulas


Tal como uma gárgula do cimo de uma catedral gótica, que denodadamente anuncia ao mundo que há que refrear a alegria e a boa disposição – afinal os demónios andam por aí –, uma professora aposentada achou por bem, e decidiu por vício, avaliar o estado actual do meu blogue:
 
«Retomei a escrita no teu blogue, mas, como já confirmaste, não é para te adular nem engraxar - sou incapaz disso e há quem o faça na perfeição por mim - apenas para confirmar ou refutar algumas das tuas máximas. As fotos são sempre boas e só por isso já vale a pena ir ao blogue. Quanto aos textos, há os melhores e os menos bons, há uns clichés que se dispensavam. Sobretudo sobre Paris, cidade que não precisa de descrições, nem explicações. É uma cidade única, que se vive, não se descreve. E os franceses, continuam uns estupores chauvinistas?? Provavelmente instalado num belo hotel de cinco estrelas, nem dás por ela.... Boa estadia e sobretudo boa saúde.»

Feita a avaliação, devidamente avalizada e ponderada pelo "belo hotel de cinco estrelas" que, segundo a professora, me impede de descobrir os "estupores chauvinistas" franceses e ainda me impede de descrever Paris, adivinho a inscrição na pauta de uma nota resvés, muito à justa, por conta das fotos boazinhas:
 
Senhora Professora,
Muito agradeço o cuidado e, sobretudo, os avisos que por mero zelo velaram pela minha pessoa, mas terei de revelar algo que por certo lhe poderá ressoar como uma bomba: este meu blogue não está sob avaliação; não almejo tirar mais licenciaturas ou mestrados, e um PhD nunca esteve no meu horizonte, afinal o meu objectivo de vida nunca passou pela cátedra. Ademais, escreverei sobre Paris sempre que me apetecer, mesmo do quarto imundo dos fundos destinado aos garçons do bistro dos subúrbios onde me encontro.
De Paris, repleto de boa disposição,
Paulo



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Obviamente, os bebés vêm de Paris


Hymne à l'amour by Edith Piaf on Grooveshark

Todas as minhas anteriores estadas em Paris resumiam-se a dois, três, dias com a agenda cheia de reuniões de trabalho. Aeroporto, táxi, hotel, táxi, escritório, restaurante, hotel. De relance, via alguns ícones da cidade, uns porteiros, umas meninas impecavelmente magras das lojas mais finas e muitas frases de circunstância. Desta vez, quis viver as ruas, os jardins, os museus, o metro e as pessoas. Beber uma cerveja belga bem gelada ao fim da tarde quente de Agosto e percorrer avenidas, praças e escadas a pé. Breve chegamos ao cliché: depois de Veneza, Paris é a cidade mais romântica do mundo. Por cada recanto, junto ao Sena, surge um casal eternamente enamorado; por cada monumento, despontam grupos de amigos de sorrisos largos carregando ipads pejados de gigabytes de fotos; por cada jardim, famílias inteiras felizes deitadas na relva ao sol. Procuram tudo o que por certo têm direito com toda a certeza que Paris, solícita, lhes oferecerá. Em matéria de prazer e deleite, o ponto de equilíbrio entre procura e oferta é contínuo e permanente. Em matéria de romantismo, pleno.




A enxurrada de turistas nesta altura do ano não assusta, só assoma mais encanto. E, não sendo o caso, se alguém mais incauto se sentir sozinho, não receie, deixe-se ficar. Há sempre uma Scarlett mais próxima que nos fixa e vem procurar…

 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

ΚΑΤΑ ΤΟΝ ΔΑΙΜΟΝΑ ΕΑΥΤΟΥ*

Quando me perguntam onde melhor sinto o som do silêncio, a resposta é pronta e sincera: em minha casa na madrugada avançada ou num grande cemitério a qualquer hora. Não encontro nada de lúgubre nisto. É um facto. Junto ao mar não oiço silêncio, escuto as ondas, o vento e as gaivotas; na imensidão dos campos, os pássaros e as cigarras; no topo da montanha consigo, presciente, escutar o frio do próximo Inverno e o subsequente degelo da Primavera. Dir-me-ão: ah, mas e na igreja, na capelinha…? Respondo: impossível não ouvir a miríade de orações, o coro de promessas e os diálogos, com Ele. É humano e Divino.
 
A partir das duas da manhã oiço nada em casa. Mentira. Por vezes atento no estalar da madeira dos móveis e no estalejar das molduras dos quadros e aí costumo pensar: olha, o Bual deu de si, a menina do Noronha sussurrou-me ao ouvido e o pequeno desenho de Vieira desconjuntou-se. Num grande cemitério também não oiço os murmúrios ininteligíveis que me embalam e os corvos, sabe-se lá porquê, não crocitam, saltitam sem pisar as folhas secas. E os mortos, Deus os abençoe, esses fazem tanta companhia…
 
O Cimetière du Père Lachaise, com os seus quarenta e três hectares e milhares de imponentes ciprestes, é o maior de Paris e, porventura, o mais famoso do mundo. Rasgado por imensas avenidas, praças e ruas, é detentor de belíssimos monumentos e inacreditáveis túmulos, sepulcros e mausoléus. Por lá jazem nomes como Auguste Comte, Molière, Marcel Camus, Marcel Marceau, Yves Montand, Gilbert Bécaut, Maria Callas, Chopin, Édith Piaf, Jim Morrison, Delacroix, Modigliani, Balzac, Marcel Proust, Oscar Wilde, Jean de La Fontaine e Cyrano de Bergerac, entre muitos outros.
 
Só há uma outra coisa que me comove tanto quanto o magistral silêncio de um grande cemitério: as flores frescas e viçosas postas criteriosa e diariamente em alguns túmulos. Vendo-as, sei que alguém sofre, ama e quer perpectuar a vida térrea de quem já partiu. Não há maior silêncio do que este.
 
 
Os corvos silenciosos de Père Lachaise...

O túmulo frugal de Édith Piaf

*Túmulo discretíssimo de Jim Morrison com a frase em grego ΚΑΤΑ ΤΟΝ ΔΑΙΜΟΝΑ ΕΑΥΤΟΥ, que significa qualquer coisa como "Mate o seu demónio interior"

Monumento de homenagem às vítimas do trágico acidente em 2009  no Oceano Atlântico do voo Air France 447, Rio de Janeiro - Paris. Morreram 228 pessoas.
 

sábado, 10 de agosto de 2013

ausente por uns dias...

Dunas_www.musicadownloads.net by Ivete Sangalo_ com Rosa Passos on Grooveshark

Foto dedicada ao Sérgio que vai ficar rapidamente bom e... oiçam esta fabulosa música, a sério! Não sei se vou demorar.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

o que é preciso é vender

Enquanto o grupo Balsemão anda a chafurdar em tudo o que swapa, e o JN a adoptar um estilo muito próximo do defunto 24Horas, o Correio da Manhã, astuto, envereda por um jornalismo de proximidade, amigo do consumidor.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

casual

HOTEL CALIFORNIA by Hotel California on Grooveshark



A estultícia com que não soltas palavras só é equiparável à inabilidade com que as deixas escapar.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

clichés (ii)


s/ título


Avistei-te por ali, pela corrente avulsa de gente que calcorreia diariamente as ruas da grande cidade. Cabelo já todo níveo assumido e descuidado, roupa três números acima, olhar desfocado e ausente. Por ali, sem saber ao que ias, quase vinte anos depois. Covarde, atalhei caminho, não te soube encarar nesse abismo, nem prolongar o meu olhar nas inúmeras rugas que te circundavam os olhos baços e sumidos, perguntando a maior de todas as imbecilidades: Olá, como estás? Não, não precisava de te falar e de te ouvir. Já mo tinham dito. Não há nada que se possa fazer para além de um olhar mutuamente contristado. Perder um anjinho deve matar muito mais do que nós próprios. Devemos morrer várias vezes e extinguirmo-nos em tudo o resto.

terça-feira, 30 de julho de 2013

porque é assim

Apaixonar não tem particípio decente, descura o pretérito, escarnece o futuro e carece de gerúndio. Aliás, apaixono-me, apaixonas-te, apaixona-se e parou. Tudo no presente do singular. Ninguém se apaixona no plural: nós os dois nunca nos apaixonámos ou nos apaixonaremos. Exortar paixão padece de uma singularidade muito própria e presente, jamais, a cada tempo, correspondida ou subordinada. Paixão vem de um só canto, não é transmissível, não segue para além de mim, de ti, dele ou dela. É coisa de eremita, de hedonista estóico, de um único ser. É construção solitária. Faz-se e desfaz-se no âmago de cada um sem necessidade de consulta prévia. Devidamente cuidada e alimentada é produto da sua própria insistência, não está condicionada pela empatia ou antipatia alheia. Tudo o que se lhe reflecte detém-se impotente: é um outro mundo, à medida dos nossos anseios e acometimentos, que se faz inalcançável. E quando se esboroa, será sempre porque a ela se segue outra. Mais espectacular e repleta de desfaçatez. Porquê? Porque é assim.
 
Amor é outra coisa, é o pote cerrado no fim do arco-íris. É vírus estranho e externo, vem lá do norte, vem quando dele já estamos desprecavidos e esquecidos. Amar conjuga-se de todas as formas e feitios, estira-se regalado pelo gerúndio, espraia-se pelo plural, percorre todos os tempos mais-que-perfeito e, brioso, avança para o imperativo. É sismo interno à pele e às entranhas; libertação incontrolável de energias opostas que nos predispõe bovinos contemplativos. É epicurista de berço, mas é sobre a dor que mais e melhor se alonga, mais e melhor se define extrínseco, surgindo como forma maior que reabre o Divino, onde o culto é lúbrico a nós dois, ao dístico das nossas identidades, tornado uno e indivisível. Como qualquer ser inerte sem hospedeiro, não passa de prosa ou de vã filosofia crivada pelos tempos em papiros empoeirados já esquecidos, mas, como qualquer ácido nucleico, encontrando quentura e frequência cardíaca, se propaga em surtos ciclicamente pandémicos, exalando torrencial harmonia e felicidade.
 
Por isso mesmo, paixão pode ser só problema meu, mas amor será sempre um problema nosso.

domingo, 28 de julho de 2013

na dúvida


Confiar não é acreditar. Posso confiar o meu automóvel a alguém com o mesmo à-vontade com que não acredito tratar-se do melhor condutor do mundo. Nem sequer do mais cauteloso. Apenas sei, acredito, que fará o seu melhor para mo devolver intacto, lavado e, por gentileza, com o depósito atestado. Confiança não é a característica mais evoluída na escala de uma relação. É, com certeza, necessária, mas nunca suficiente. A determinada altura, dá lugar a outra, bem mais adaptada a todo o meio afectivo envolvente: à crença. Enquanto a confiança encontra lastro no elevado grau de probabilidade de alguém não falhar, não decepcionar, não a romper; acreditar acarreia bem mais precisão e convicção de que o outro fará sempre o seu melhor. Prefiro muito mais um prometedor acredito em ti, do que um chantagista confio em ti. Confiar apenas responsabiliza, e até pode intrometer desajustes estranhos e subsequentes culpabilidades sendo, por natureza, sobranceiro ao nomear quem confia em quem, subalternizando o objecto por magnânima confiança. Acreditar não só responsabiliza como valoriza ao mais alto nível. Há uma aposta, larga e quase cega, de alguém muito especial convicta em mim. Um toque de esperança que deveria caber sempre em sorte a cada um de nós ao longo do tempo. Depois, numa sociedade em que as confianças lavram-se por deprimentes contratos, cujos cumprimentos são dirimidos ao milímetro, haverá dádiva mais preciosa e quente do que um benfazejo e simples Acreditar? Não, não há nada mais nobre.

sábado, 27 de julho de 2013

clichés (i)



Nunca acreditem num homem que vos assevere não reparar na aparência dos outros homens. O mais certo é não reparar noutra coisa. Mas se, pelo contrário, vos disser que sim, que repara sem pruridos, e até avance com ulteriores considerações, desconfie na mesma. Não só quer conquistar a vossa confiança, como exibir e ostentar o seu pavilhão de caça.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

osmose

Precisava entendê-la, saber quantas mais línguas conhecia, se juntava a gestual à casual; saber que batimentos cardíacos mais lhe atormentavam, quantas gotas de suor expelia, quantos cabelos espigados deixava abrir ao sol. Precisava enumerar os poros mais dilatados, equacionar as pestanas longas e desenhar constelações nos sinais da pele alperce. Medir a tessitura dos seus bocejos, a graça dos seus rumorejos e a infantilidade dos seus soluços. Pois é, precisava entendê-la, pressentir o que sentia, suportar o que sofria, chorar e rir o que sorria e lamentava. Coisa aritmética, de régua e esquadro. No fundo, tomar-lhe as medidas e fazer-se, à sombra, uma cópia 3D.
 
Dizia não querer mais nada dela. Porém, não desdenharia ver pelos seus olhos, cheirar pelo seu nariz, sorver pela sua boca, ouvir pelos seus tímpanos, tactear pelas suas terminações nervosas e corar pelo seu rosto. Coisa pouca. Inabalavelmente crente, sabia que, fazendo-o, uma voz superior, ecoando um ponderoso temor reverencial, o condenaria feliz. Afinal a osmose ainda não constitui pecado mortal.

terça-feira, 23 de julho de 2013

noites de Verão em Lisboa (iii)

Por una cabeza, tango for voice & chamber orchestra [As Used in the Fil by The Tango Project on Grooveshark

«Por una cabeza, metejón de un dia, de aquella coqueta y risueña mujer
que al jurar sonriendo, el amor que esta mintiendo quema en una hoguera todo mi querer.»