À esquerda a Pedra da Ursa e à direita a Pedra Gigante
A três centenas de metros a sul e a cento e setenta metros acima, o farol do Cabo da Roca
Mesmo ao lado do Cabo da Roca, a norte, encontra-se uma praia selvagem em estado bruto. Um naco de Paraíso a poucos quilómetros de Lisboa, quase desconhecida devido ao acesso difícil (tem de se praticar um pouco de alpinismo), só recomendável para quem esteja em boas condições físicas e não padeça de vertigens... A Praia da Ursa, a mais ocidental de toda a Europa, é considerada pelo conceituado Guia Michelin uma das mais bonitas praias do mundo.
Pelos meus seis sete anos os entretenimentos eram outros. Jogava-se à bola, ao berlinde, ao pião (ainda de madeira), à apanhada e andava-se muito de bicicleta (sem capacete, nem joelheiras...). Quando o clima não permitia ficava-se parvinho à espera da abertura da RTP pelas seis da tarde para ver os únicos desenhos animados do dia. Como muitos outros meninos, também fazia colecção de cromos. Uma delas chamava-se qualquer coisa parecida com "Maravilhas do Mundo" e um dos mais difíceis de obter e que mais me fascinava era o do Monte São Michel, qualquer coisa idêntica à imagem abaixo.
Imagem retirada do Google
Raio de monges beneditinos malucos que viviam cercados pelo mar no meio de nada! Quando a maré vazava percorriam o imenso areal em busca de conchas e búzios com os quais se inspiravam para lapidar granito. E se, pelo contrário, enchesse, tinham de fugir a galope a mais de 15 km por hora ou morriam afogados nas areias movediças. Por quê, para quê? – questionava, enquanto observava aquele insólito mosteiro no cromo mais valioso da colecção.
Volvidos quase quarenta anos – nunca percebi porque nunca antes – eis-me peregrino em terras da bucólica Normandia, na fronteira com a Bretanha. Verdade que não foi a cavalo vindo de Itália, como sempre se fez por mais de mil anos, mas vindo da cidade-luz de popó.
A dez quilómetros de estrada, por entre algumas árvores, finalmente vislumbrei a imponente abadia.
A cinco fiquei deslumbrado: estava prestes a chegar à fortaleza do Arcanjo Miguel.
A construção começou no ano de 708, vinte anos antes de Santiago de Compostela. À parte a lenda, que facilmente encontram pela net, a história da edificação da fortaleza teve origem nas negociações levadas a cabo entre o chefe dos Normandos e o rei dos Francos. Este cedia todo o vasto território desde que o grande chefe normando se convertesse cristão. Ele e, claro, todo o seu povo. Mais tarde, teve um papel decisivo na Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra como forte e, há pouco menos de setenta anos, foi naqueles extensos areais que desembarcaram as tropas dos Aliados, no famoso Dia D, que iria de vez dar início ao começo da derrota nazi na Segunda Grande Guerra.
Foi abadia, fortaleza, refúgio, prisão política (na Revolução Francesa), voltou a ser abadia e, hoje em dia, depois de Paris, é o local mais visitado de toda a França. Mas foi, sobretudo, um dos locais de peregrinação e de culto mais procurados no mundo, nunca tendo sido tomado ao longo destes 1300 anos.
Inicialmente erigido sob os cânones da arquitectura românica, foi sucessivamente restaurado com inspirações góticas. O penedo sobre o qual se ergue a abadia ao centro e no cimo e a aldeia à volta são todos de granito; razão pela qual a erosão sofrida por acção das marés, naquele local muito fortes, ter sido diminuta ao longo dos tempos. Ainda hoje, persiste uma pequena comunidade de monges beneditinos.
Vista da abadia para as perigosas areias da maré baixa - ao fundo, um aventureiro...
Claro que o valioso cromo ficou ainda mais esquecido e distinto nos confins da minha memória, porque na realidade o que vi foi uma extraordinária organização de todos os agentes envolvidos no complexo turístico (com shuttles de 2 em 2 minutos), uma aldeia de minúsculas vielas e inúmeras escadarias dentro da fortaleza que vive de pequenos hotéis, restaurantes e lojas de recordações e uma abadia colossal que se ergue a mais de duzentos metros acima do mar.
As pequenas vielas da aldeia
O jardim interior no cimo de uma das cúpulas
Em boa verdade, suei que me fartei e quase tudo era um estímulo para prosseguir mais um lanço de escadas.
Pela minha saúdinha como esta foto não foi intencional: disparei sem querer com a máquina ao pescoço. Quem se sentir visada, contacte-me, s.f.f.
Até a flecha que sustenta, cor de oiro, a estátua em bronze do Arcanjo Miguel. Fantástico, sublime. Esta caderneta valeu o cromo.
Fazia ao contrário. Cada vez que tinha de mentir, pausava a voz firme, encarava-a de frente e lançava o seu olhar mais penetrante no interior das suas retinas. Nunca desviava os olhos e raramente pestanejava, inabalavelmente convicto de que tudo o que aclarava penetrava em flecha via ocular. Um mestre na técnica do embalo e da hipnose. Um doutor do convencimento.
Já quando falava verdade, enervava-se, tremia a voz ou projectava-a esganiçada. Mais: baixava o semblante e olhava para a gata. Para a janela ou a lâmpada do tecto. Não a conseguia fixar no tête-à-tête da realidade.
Até ao dia em que conheceu Ivone. Mais nova, mais branca e possuidora de uns belos olhos negros rasgados. Aí, quando falava verdade, encarava-a de frente e sentia-se calminho, levezinho, quase em suspensão. Mas quando dizia mentira, a sua afamada astúcia surtia em vão. Por mais que tentasse transpor o íntimo da sua íris cor de basalto e da sua esclera neve cintilante, revia-se num inútil mentiroso, num impotente convencido.
Não se consegue enganar quem não conhecemos. Só quem nos conhece bem.
Ufano, garantia não ter permanecido agrilhoado ao passado. Exactamente como lia nos livros mais idóneos e nos blogues de gente importante, com Vida e com Mundo. Orgulhoso, dizia agarrar com as duas mãos o presente, dia após dia, como os poetas dissecam sílabas e palavras, almejando a melhor melodia para embalar mentes sábias de copiosa sensibilidade. Impante, citava os críticos literários da moda, os que todos conheciam porque os outros também, os gurus do neo-positivismo comteano. Cara lavada, fixava sem pestanejar o interior dos olhos dos seus interlocutores: o passado mora na rua de trás, conheço-lhe os passeios, as gentes e as lojas, pois há que aprender com todas as coisas boas e, principalmente, com as más das anteriores moradas, mas temos todos de passar o semáforo… E já se encontrava na grande avenida do presente que o conduziria à maior e inexpugnável via do futuro. Contudo, cauteloso e avisado, o discurso fechava-se-lhe com rotunda prudência, lembrando as palavras de José Cardoso Pires: «o bem mais precioso do homem é a memória».
Chegado à noite, polia então a relíquia. Escutava-a no youtube, seguia-lhe no instagram, no facebook e demais apps, consolado. No remanso da sala escura vociferava intermitente: tenho preciosidades para dar e vender, posso viver o resto dos meus dias à conta desta devoção, reflectir como um monge de burel do alto do claustro, e até da escrita neo-cordel, olaré!Depois, recordar é viver, oh yeah…
Madrugada fora, quando fenecia, grogue de alegria e de absinto, enroscava-se virado para a janela com vistas estreitas e foscas para a avenida do presente e com as costas bem acomodadas no quentinho do passado. Tudo pela preciosidade da memória, claro, e por ele, um homem à frente. Da morte.
Em vez de a CNE nos ter mandado reflectir no Sábado, seria hoje que uma profunda reflexão deveria ser feita. No Porto, em Matosinhos e, principalmente, em Oeiras*.
* Não, não estou chocado com a ovação a Isaltino - Oeiras é um dos melhores concelhos para se viver. Estou só chateado por terem preso um só autarca, e logo um dos melhores.
Já vivi em muitas mais casas do que as minhas quatro décadas de existência. Expatriado ou em Lisboa. E pouco me importou se era mais difícil habitar ou desabitar. Ambos têm feito parte da minha vida tal como morrer ou renascer, acabar ou recomeçar, cair ou levantar. Contudo, nunca fiz desses locais uma mundana hospedaria. Por cada um que alugava ou comprava era um lar que procurava e uma infinita parte de mim que por lá se manteve. As casas não são só paredes e telhados com mobílias e roupas. As nossas casas, as verdadeiras, são vidas inteiras vadias, são alegrias e queixumes, partilhas e apegos seguros sem domicílio fiscal. Lares doces de afectos com o frenético tempero quotidiano, mais sal, menos acre. O que os constrói é o quanto de nós próprios já demos e neles persiste. Como o Universo, a nossa casa não é um lugar físico mensurável, não, somos só nós sob uma pele macia sem tecto. E com as portas e as janelas que quisermos abrir.
Decalcado do argumento da peça de Tennessee Williams, A Streetcar Named Desire (Um Eléctrico chamado Desejo), o argumento não é original nem adaptado. É o que é, sob o pano de fundo da crise financeira de 2008 e do escândalo Madoff. Contudo, no universo de Woody Allen persistem duas Américas. A nova-iorquina primeiro-mundista - que saboreia o conforto e as delícias turísticas da Europa à medida que surtem os proveitos afrodisíacos de Wall Street - e a outra, a salve-se-quem-puder, onde nenhum direito ou conforto social está assegurado antes do árduo caminho self-made man. Uma vez mais, o eterno feminino é esfoliado até à essência das suas vicissitudes em variações concomitantes entre o ter, o ser e o parecer. O drama psicológico está lá, como nos bons velhos tempos, intenso, avassalador, obsessivo nas raias da loucura, numa Jasmine (ou Jeannette) com traços de Blanche Dubois. E afinal onde reside a verdadeira diferença? No cunho inaliável e inalienável de Woody Allen e num impressionante avião chamado Cate Blanchett. Os solilóquios intermináveis de Jasmine são imperdíveis, prendem-nos freneticamente ao seu imenso fracasso, convocando-nos até ao sentimento mais cruel e presunçoso do ser humano: a comiseração. Por mim, um incorrigível admirador da australiana, já a tinha salvo das tormentas da mulher-troféu, torneado aquela magnífica face angulosa e calado a fabulosa voz de Elizabeth. Por mim, um dos maiores suspeitos, acalmava-a no terraço de um qualquer Four Seasons de Saint Tropez ao som, óbvio, de Blue Moon.
Nunca outrora a Estética foi tão valorizada como na Grécia Antiga, emergindo mesmo como um ramo autónomo da Filosofia:
"…a beleza não está na simetria dos elementos, mas na adequada proporção entre as partes, como por exemplo dos dedos uns para com os outros, estes para com a mão, esta para com o punho, este para com o antebraço, este para com o braço, e de tudo para com tudo, como está escrito no Cânone de Policleto. Tendo-nos ensinado nesta obra todas as proporções do corpo, Policleto corroborou seu tratado com uma estátua, feita de acordo com os princípios de seu tratado, e ele chamou a estátua, assim como o tratado, de Cânone"
(in De Placitis Hippocratis et Platonis, Galeno)
No Renascimento, com Michelangelo e Bernini, ao cânone das proporções, evoluiu-se para o contrapposto, isto é, abandonou-se a pose majestosa e estática das obras esculpidas representando o corpo humano, impregnando-as de movimento e de naturalidade. David é o expoente máximo desta mudança, em que à harmonia do corpo junta-se a beleza da alma.
Passados mais de trezentos anos, surge (na opinião de muitos críticos) o maior escultor de todos os tempos, Auguste Rodin.
À perfeição da representação do corpo (Rodin foi um fervoroso estudioso da Anatomia Humana) e à cadência da vivacidade e do movimento, imprimiu sentimentos e emoções, fazendo com que as suas obras interagissem com o observador, alterando sistematicamente a sua observação, incitando-o mesmo à reacção. Muitas vezes, deixava as suas obras inacabadas (non finito), não por mero capricho de marca própria, mas com o intuito de convidar o observador a participar na sua criação. Obviamente, rompeu com as regras da Academia da época, foi marginalizado e não foi aceite pelo seus pares. Mas continuou em condições especialmente difíceis.
Em 1884, o Presidente da Câmara de Calais escreveu a Rodin "Nossos burgueses sempre se ergueram imperiosos e insensíveis às injúrias do tempo e aos comentários idiotas. Há-de vir o dia que serão compreendidos". Assim, o Município convidou Rodin para esculpir um monumento que "deve comemorar o episódio da Guerra dos 100 Anos no qual, a cidade, cercada pelo rei de Inglaterra, foi poupada graças ao sacrifício de seis eminências que se ofereceram como reféns de corda ao pescoço com a chave da cidade nas mãos", como descreve o cronista Froissart. Rodin elaborou um monumento com seis pessoas, todas ao mesmo nível térreo e em tamanho natural, em que cada uma delas expressa um sentimento e uma atitude diferentes, com individualidades físicas e psicológicas diversas, através das suas expressões faciais, corporais e vestes ante a proximidade breve da morte: o cansaço do mais velho, a solidez e determinação do portador da chave da cidade, o desespero e a tormenta do mais frágil, o dramatismo do mais ansioso, a aceitação estupefacta do mais novo e a coragem do mais destemido. Perante tanta diversidade, emerge uma imensa expressão de solidariedade e de sacrifício colectivo. Em toda esta multiplicidade surge uma incontestável harmonia à qual devemos chamar Arte.
Os seis "Burgueses de Calais"
Quatro anos antes, em 1880, Rodin tinha sido chamado a construir "As portas do Inferno" para o futuro Museu de Artes Decorativas. Inspirado pela primeira parte da Divina Comédia de Dante, O Inferno, esculpiu nelas quase duzentas figuras até à sua morte. Deste monumento colossal, com mais de seis metros de altura, surgiram as suas obras mais emblemáticas, através de réplicas maiores retiradas do portão. Dele saiu "O Pensador, "As três sombras", "Ugolino", "O filho pródigo", "Fugit Amor", "A Danaide" e a célebre "O Beijo", entre muitas outras.
O enorme "Portão do Inferno" (no cimo "As três sombras" e logo abaixo "O Pensador")
"O Pensador" (antes, "O Poeta")
"As três sombras" (antes de entrarem no Inferno)
A morte de "Ugolino" com os seus filhos e netos famintos agarrados ao seu corpo
Cada uma delas tem uma narrativa muito própria e rica. Vejamos “O Pensador”. Enquanto personagem que compõe o Portão do Inferno, não passa do próprio Dante observando de cima o seu Inferno. Mas fora deste, ampliado, simboliza a força do pensamento poético e filosófico sobre a natureza e condição humana. Reparem bem no corpo representado, parece em harmonia total, em perfeito equilíbrio, e contudo… tentem imitar a posição daquele corpo sentado: pulso esquerdo sobre o joelho esquerdo e cotovelo do braço direito sobre a coxa esquerda… experimentem sentir aquela posição! Quanto tempo permanecem confortáveis nela? Voltem a olhar para a escultura abaixo:
Não se esqueçam: pulso esquerdo sobre joelho esquerdo e cotovelo direito sobre coxa esquerda...
Tudo tão sensato e equilibrado… Este é apenas um exemplo, mas a razão pela qual o corpo parece estar completamente descansado é o alongamento dos braços e do tronco, aliás, as mãos das esculturas são todas maiores que o "normal" e, contudo, imperceptíveis.
Escultura de Balzac com o seu hábito de monge usado enquanto escrevia: foi um escândalo à época...
Como disse, todas as obras têm uma história e um propósito muito próprios e ricos. Rodin é um expressionista e um impressionista, um romântico e um realista, um classicista e um pós-modernista. Rodin é um Artista Maior, o maior escultor de toda a História.
O Jardim do Museu Rodin
Podia acabar aqui este já extenso post: uma pequena mostra do génio de Rodin e algumas explicações sobre a proveniência de algumas das suas obras. Mas seria justo? Não. E porquê? Porque omitiria o maior "mistério em plena luz do dia": Camille Claudel.
Camille, depois de estudar na Escola de Belas Artes de Paris, foi admitida como aprendiz-estagiária de Rodin por volta de 1884. Extremamente talentosa, mesmo genial, colaborou activamente em todos os trabalhos atrás mencionados conjuntamente com ele. Muita da genialidade destes deveu-se a Camille, de tal forma que a fusão no acto criativo era completa. Mal se distinguia a mão de um da do outro, como o Amor de um pelo outro… "Danaide" é ela e o famoso “Beijo” (que nas “Portas do Inferno” representava o amor proibido de Paolo e Francesca – personagens de Dante) são eles os dois. Rodin não era casado, mas namorava Rose e nunca prescindiu dessa relação em nome de um passado sofrido no começo da carreira. A relação com Camille foi profundamente intensa durante dezasseis anos (um aborto e muito sofrimento pelo meio). Intensa, doentia e cruel: diz-se que Rodin ter-lhe-á dito que "ela emanava dele e que nada era verdadeiramente dela". Surge a inevitável ruptura. Camille, inacreditavelmente criativa e talentosa, constituía um escândalo para a sociedade e uma ameaça em cascata para o talento de Rodin. Consumou o desenlace primeiro com “La Valse” e depois, definitivamente, com "A Idade Madura". Entretanto agudizaram-se os episódios neurótico-obsessivos e a depressão, tendo sido mais tarde internada compulsivamente num manicómio, isolado do mundo. Morre, muito doente, pouco tempo depois da morte do seu pai, o seu maior protector.
Agora acabo: cada vez que virem uma inacreditável obra de Rodin, nunca se esqueçam que sobre ela passou a fraqueza de um homem e a força e a paixão das mãos de uma Mulher. Camille, "um mistério em plena luz do dia"*.
(fotografia retirada do Google)
* Expressão do irmão, o poeta e embaixador Paul Claudel
Provocaçãozinha para quem gostou de O Código Da Vinci de Dan Brown...
As noites em Paris não se repetem uma após a outra. Têm sido todas diferentes. E são, de facto, todas distintas nos mesmos sítios ou em locais diversos. Do Trocadéro, em frente ao Palais de Chaillot, celebra-se sempre La Dame de Fer, iluminada cor de ouro – pensar que era para ser um monumento provisório, apenas salvo pelos retransmissores de rádio… –, noite fora com Côtes de Rhône à la carte. Nos Champs-Élysées, avenida mais famosa (e mais cara) da Europa, há desde o mais exclusivo restaurante vietnamita ao McDonalds. Depois, Le VIP Room, o caribenho Montecristo, Le Queen e o Lido, entre outros. Quer ópera? Duas: Palácio Garnier ou Ópera Bastille. Teatro? Pariser Theaterhäuser, Comédie Française, o Europa-Odéon, Mogador ou Châtelet. Cabarets? Tem, além do Lido, o Crazy Horse e, claro, o emblemático Moulin Rouge. E como se dança bem tango em Paris! Na Casa del Tango ou nas muitas outras milongas (Milonga les Frigos, Quais de Sein, Encuentro Milonguero, Milonga la Melero).
Mas, em Agosto, as noites de Paris são na rua, na torrente das faces intercontinentais, na brisa que passa por entre as folhas dos castanheiros-da-índia, nos candeeiros da ponte Alexandre III, nos bistros do Quartier Latin, nas margens do Sena e, por fim, na long chaise do quarto do hotel.
Arco do Triunfo sem gente nem automóveis (foto exclusiva)... às 5 da manhã.