Já tive medo de morrer. Não, não é bem assim, vou repetir: até há uns bons tempos atrás, tive muito medo de morrer. Já não tenho? Tenho. Mas não como há uns tempos. Depois descobri que há coisas piores. A assistir completamente impotente ao sofrimento dos meus filhos, prefiro morrer; a perder as pessoas da minha vida, escolho morrer; a sonegarem-me a capacidade de sonhar, elejo morrer – caso me concedessem a veleidade da prima e suprema escolha, claro está. É que com os meus medos e sofrimentos posso bem, basta que sejam apenas meus e não me obnubilem a crença e a capacidade de ansiar. Já com o resto, posso quase nada. E, ironia da condição humana, o resto é precisamente a minha vida. O resto são os meus mais queridos e todos os meus sonhos. O resto sou eu. Afinal, não posso bem comigo.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
eu e os meus
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
comunicações
![]() |
| (Fotografia de Paulo Abreu e Lima) |
Palavras não são mais do que construções externas, uma representação simbólica sem a qual a ideia seria impossível. Por isso não as considero pertença das bocas e dos ouvidos, dos canais de comunicação e dos códigos que as transformam em concepções entendidas por quem fala e por quem escuta. Palavras são muito mais do que isso, pelo que as encontro nas casas, nos bichos, nas flores e nos lugares, nos vazios de tudo, que não se tornam por isso, sítio nenhum.
A minha
casa fala comigo sem se esconder nos recantos, sem vergonhas que lhe tolham os
passos, sem segredos abafados por sótãos e baús de espólios escondidos a morrer
de saudades. Fala-me quando acordo e quando adormeço, pega-me ao colo se for caso disso, embala-me as fraquezas como quem aconselha uma criança acabada de cair
nas garras do mundo e nunca deixo de a ouvir, estridente por entre quatro
paredes silenciosas. Irrepreensíveis nos afectos.
Os lugares vazios são outros
que falam demais. Trazem palavrinhas pequenas imiscuídas no vento, no restolhar
do Outono e no despertar na noite, que cai quando o sol se esconde a falar. Não
sei se gosto ou se não. Não sei se o absoluto silêncio não me agradaria. Não
sei ainda, e no limite, se a ausência de palavras e o vazio das ideias não nos
farão falta de vez em quando, uns minutos ocos que nos permitissem a existência limpa de crostas e vicissitudes. Mas são as do tempo, admito, são as palavras
do tempo, as que mais se me entranham. O tempo fala comigo em palavras
sabedoras que mais ninguém diz, em
fragmentos de vida que se espelham nos minutos compassados da noite, no
aconchego selecto do amor demorado. Às vezes fecho os olhos e fico perdida à
escuta, tão nobres ecos merecem concentração.
Erro crasso, já percebi. As palavras das coisas aparecem clandestinas e
não gostam de deambulações, nascem e morrem num instante esquecido,
transparecem o que bem entendem em direcção ao momento e não permitem emendas ou
excessos de averiguações. São para escutar calmamente sem retribuir, retirar o
sumo e deixar passar, amanhã certamente, outras surgirão. Uma espécie particular
de comunicação.
domingo, 10 de novembro de 2013
acasos
| (Fotografia de Paulo Abreu e Lima) |
Há muito muito tempo nasci num conto de fadas Orianas que nada tinham a ver com Shopia. Uma pena, os livros têm sempre um encanto escondido nas linhas mestras dos textos, que intercepta as almas de pessoas a crescer no tempo que não acaba, porque existem varinhas de condão. É mais ou menos o livro em cada inicio, há o rigor do instinto, o colo da casa, a página que se segue, uma atrás da outra, um, dois, três... Quando tudo começa, é relativo. Começa quando a concepção acontece, no frio da noite, a meio de um Inverno, numa cama sem fim? Ou quando a cabeça espreita um mundo sem forma e com vozes, que afinal existe para fora da mãe? Que bem vistas as coisas não é mais do que um prolongamento do filho, mentalmente analisando. Que por sua vez e curiosamente, é um prolongamento da mãe, fisicamente falando.
Pode ainda começar mais tarde, quando o mundo ganha corpo na nossa cabeça, pontos cardeais, directrizes capazes de nos governar os instintos que afinal não pertencem só aos bichos. Caramba, também nós vivemos de tendências e impulsos que diminuem a exactidão dos instantes, não fosse assim e a matemática tomaria conta de um mundo recto e banal, puro desperdício. Para mim, é exactamente aqui que tudo começa a sério, e se me permitem a leviandade de uma apaixonada do inconsciente. Mas não percamos excessivo tempo com isto, a casa é essencialmente masculina, não há lugar para complicações. O objectivo é simples, calma, necessitei apenas de um enquadramento harmonioso: deixá-los acontecer espontâneos, aos instantes e aos acontecimentos, permitir que a livre vontade também nos construa, a par e passo com a razão da coerência. Esquecer o sumo exagerado de explicações e planeamentos, ainda um dia gostaria de saber para quê. Não esquecer as questões, claro, quem pergunta mesmo sem resposta elimina os trajectos inconvenientes, ainda que nem dê por por isso.
Haverá outros percursos, falaciosos, enganadoramente mais firmes, quase capazes de nos unificar na experiência, tudo o que queremos. Mas a nossa desenvoltura, e por firme que seja, nunca abrange em plenitude a constante frustração. E por fim especialmente para as senhoras, é assunto maioritariamente nosso: gostamos de mandar o corpo e a alma em consonância com a vontade ideada a um ror de distância, até no vestido a usar no próximo acontecimento social, daqui a uns meses, em vez de confiarmos na casualidade de uma loja ao acaso, detentora de um assombroso modelo que nos assenta a matar.
O nosso mando, às vezes, tantas vezes, pode mandar contra nós. E nós, ufanos, deixamos, cientes na certeza que não há, deixando a harmonia do incerto a passear ao nosso lado.
Passeios bons lado a lado, são outra coisa e nada disto, e pasmem-se, começam sempre inesperados. E mesmo depois, já esperados, podem acontecer sem ser nada no rigor do dia certo, ou serem tudo quanto se quer, num acaso apenas fortuito.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Informação: um blogue a quatro mãos
Ando pela blogosfera há quase dez anos. O meu primeiro espaço foi colectivo. Revezávamo-nos durante a semana por forma a ser actualizado diariamente. Confesso que tenho boas memórias desse tempo. Éramos todos amigos, pelo que a camaradagem, as brincadeiras e as discussões sobre assuntos mais sérios, entre outros, eram um estímulo à escrita frequente, quase frenética, mas sempre reflectida. Poucos lembram-se – até porque à altura cada um usava um nick em vez do nome próprio –, mas quem se lembra não esqueceu. Como eu.
A partir de Domingo, dia 10, este blogue vai passar a ter mais um autor. Alguém que muito aprecio na forma como se exprime, como, aliás e sobretudo, na pessoa que é. Estimados leitores, com muito orgulho e satisfação, informo que este blogue vai passar a contar com a inestimável colaboração da CF.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Praias d'Outono (ii) - Ursa
![]() |
| À esquerda a Pedra da Ursa e à direita a Pedra Gigante |
![]() |
| A três centenas de metros a sul e a cento e setenta metros acima, o farol do Cabo da Roca |
Mesmo ao lado do Cabo da Roca, a norte, encontra-se uma praia selvagem em estado bruto. Um naco de Paraíso a poucos quilómetros de Lisboa, quase desconhecida devido ao acesso difícil (tem de se praticar um pouco de alpinismo), só recomendável para quem esteja em boas condições físicas e não padeça de vertigens... A Praia da Ursa, a mais ocidental de toda a Europa, é considerada pelo conceituado Guia Michelin uma das mais bonitas praias do mundo.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Praias d'Outono (i) - Adraga
sábado, 26 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Peregrinação: Mont-Saint-Michel
Pelos meus seis sete anos os entretenimentos eram outros. Jogava-se à bola, ao berlinde, ao pião (ainda de madeira), à apanhada e andava-se muito de bicicleta (sem capacete, nem joelheiras...). Quando o clima não permitia ficava-se parvinho à espera da abertura da RTP pelas seis da tarde para ver os únicos desenhos animados do dia. Como muitos outros meninos, também fazia colecção de cromos. Uma delas chamava-se qualquer coisa parecida com "Maravilhas do Mundo" e um dos mais difíceis de obter e que mais me fascinava era o do Monte São Michel, qualquer coisa idêntica à imagem abaixo.
![]() |
| Imagem retirada do Google |
Raio de monges beneditinos malucos que viviam cercados pelo mar no meio de nada! Quando a maré vazava percorriam o imenso areal em busca de conchas e búzios com os quais se inspiravam para lapidar granito. E se, pelo contrário, enchesse, tinham de fugir a galope a mais de 15 km por hora ou morriam afogados nas areias movediças. Por quê, para quê? – questionava, enquanto observava aquele insólito mosteiro no cromo mais valioso da colecção.
Volvidos quase quarenta anos – nunca percebi porque nunca antes – eis-me peregrino em terras da bucólica Normandia, na fronteira com a Bretanha. Verdade que não foi a cavalo vindo de Itália, como sempre se fez por mais de mil anos, mas vindo da cidade-luz de popó.
A dez quilómetros de estrada, por entre algumas árvores, finalmente vislumbrei a imponente abadia.
A cinco fiquei deslumbrado: estava prestes a chegar à fortaleza do Arcanjo Miguel.
A construção começou no ano de 708, vinte anos antes de Santiago de Compostela. À parte a lenda, que facilmente encontram pela net, a história da edificação da fortaleza teve origem nas negociações levadas a cabo entre o chefe dos Normandos e o rei dos Francos. Este cedia todo o vasto território desde que o grande chefe normando se convertesse cristão. Ele e, claro, todo o seu povo. Mais tarde, teve um papel decisivo na Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra como forte e, há pouco menos de setenta anos, foi naqueles extensos areais que desembarcaram as tropas dos Aliados, no famoso Dia D, que iria de vez dar início ao começo da derrota nazi na Segunda Grande Guerra.
Foi abadia, fortaleza, refúgio, prisão política (na Revolução Francesa), voltou a ser abadia e, hoje em dia, depois de Paris, é o local mais visitado de toda a França. Mas foi, sobretudo, um dos locais de peregrinação e de culto mais procurados no mundo, nunca tendo sido tomado ao longo destes 1300 anos.
Inicialmente erigido sob os cânones da arquitectura românica, foi sucessivamente restaurado com inspirações góticas. O penedo sobre o qual se ergue a abadia ao centro e no cimo e a aldeia à volta são todos de granito; razão pela qual a erosão sofrida por acção das marés, naquele local muito fortes, ter sido diminuta ao longo dos tempos. Ainda hoje, persiste uma pequena comunidade de monges beneditinos.
Inicialmente erigido sob os cânones da arquitectura românica, foi sucessivamente restaurado com inspirações góticas. O penedo sobre o qual se ergue a abadia ao centro e no cimo e a aldeia à volta são todos de granito; razão pela qual a erosão sofrida por acção das marés, naquele local muito fortes, ter sido diminuta ao longo dos tempos. Ainda hoje, persiste uma pequena comunidade de monges beneditinos.
![]() |
| Vista da abadia para as perigosas areias da maré baixa - ao fundo, um aventureiro... |
Claro que o valioso cromo ficou ainda mais esquecido e distinto nos confins da minha memória, porque na realidade o que vi foi uma extraordinária organização de todos os agentes envolvidos no complexo turístico (com shuttles de 2 em 2 minutos), uma aldeia de minúsculas vielas e inúmeras escadarias dentro da fortaleza que vive de pequenos hotéis, restaurantes e lojas de recordações e uma abadia colossal que se ergue a mais de duzentos metros acima do mar.
![]() |
| As pequenas vielas da aldeia |
![]() |
| O jardim interior no cimo de uma das cúpulas |
Em boa verdade, suei que me fartei e quase tudo era um estímulo para prosseguir mais um lanço de escadas.
![]() |
| Pela minha saúdinha como esta foto não foi intencional: disparei sem querer com a máquina ao pescoço. Quem se sentir visada, contacte-me, s.f.f. |
Até a flecha que sustenta, cor de oiro, a estátua em bronze do Arcanjo Miguel. Fantástico, sublime. Esta caderneta valeu o cromo.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
ao contrário
Fazia ao contrário. Cada vez que tinha de mentir, pausava a voz firme, encarava-a de frente e lançava o seu olhar mais penetrante no interior das suas retinas. Nunca desviava os olhos e raramente pestanejava, inabalavelmente convicto de que tudo o que aclarava penetrava em flecha via ocular. Um mestre na técnica do embalo e da hipnose. Um doutor do convencimento. Já quando falava verdade, enervava-se, tremia a voz ou projectava-a esganiçada. Mais: baixava o semblante e olhava para a gata. Para a janela ou a lâmpada do tecto. Não a conseguia fixar no tête-à-tête da realidade.
Até ao dia em que conheceu Ivone. Mais nova, mais branca e possuidora de uns belos olhos negros rasgados. Aí, quando falava verdade, encarava-a de frente e sentia-se calminho, levezinho, quase em suspensão. Mas quando dizia mentira, a sua afamada astúcia surtia em vão. Por mais que tentasse transpor o íntimo da sua íris cor de basalto e da sua esclera neve cintilante, revia-se num inútil mentiroso, num impotente convencido.
Não se consegue enganar quem não conhecemos. Só quem nos conhece bem.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
um homem à frente
Ufano, garantia não ter permanecido agrilhoado ao passado. Exactamente como lia nos livros mais idóneos e nos blogues de gente importante, com Vida e com Mundo. Orgulhoso, dizia agarrar com as duas mãos o presente, dia após dia, como os poetas dissecam sílabas e palavras, almejando a melhor melodia para embalar mentes sábias de copiosa sensibilidade. Impante, citava os críticos literários da moda, os que todos conheciam porque os outros também, os gurus do neo-positivismo comteano. Cara lavada, fixava sem pestanejar o interior dos olhos dos seus interlocutores: o passado mora na rua de trás, conheço-lhe os passeios, as gentes e as lojas, pois há que aprender com todas as coisas boas e, principalmente, com as más das anteriores moradas, mas temos todos de passar o semáforo… E já se encontrava na grande avenida do presente que o conduziria à maior e inexpugnável via do futuro. Contudo, cauteloso e avisado, o discurso fechava-se-lhe com rotunda prudência, lembrando as palavras de José Cardoso Pires: «o bem mais precioso do homem é a memória».
Chegado à noite, polia então a relíquia. Escutava-a no youtube, seguia-lhe no instagram, no facebook e demais apps, consolado. No remanso da sala escura vociferava intermitente: tenho preciosidades para dar e vender, posso viver o resto dos meus dias à conta desta devoção, reflectir como um monge de burel do alto do claustro, e até da escrita neo-cordel, olaré! Depois, recordar é viver, oh yeah…
Madrugada fora, quando fenecia, grogue de alegria e de absinto, enroscava-se virado para a janela com vistas estreitas e foscas para a avenida do presente e com as costas bem acomodadas no quentinho do passado. Tudo pela preciosidade da memória, claro, e por ele, um homem à frente. Da morte.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
de facto, a lei eleitoral tem de ser alterada
Em vez de a CNE nos ter mandado reflectir no Sábado, seria hoje que uma profunda reflexão deveria ser feita. No Porto, em Matosinhos e, principalmente, em Oeiras*.
* Não, não estou chocado com a ovação a Isaltino - Oeiras é um dos melhores concelhos para se viver. Estou só chateado por terem preso um só autarca, e logo um dos melhores.
* Não, não estou chocado com a ovação a Isaltino - Oeiras é um dos melhores concelhos para se viver. Estou só chateado por terem preso um só autarca, e logo um dos melhores.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
sob a pele macia da nossa casa
Já vivi em muitas mais casas do que as minhas quatro décadas de existência. Expatriado ou em Lisboa. E pouco me importou se era mais difícil habitar ou desabitar. Ambos têm feito parte da minha vida tal como morrer ou renascer, acabar ou recomeçar, cair ou levantar. Contudo, nunca fiz desses locais uma mundana hospedaria. Por cada um que alugava ou comprava era um lar que procurava e uma infinita parte de mim que por lá se manteve. As casas não são só paredes e telhados com mobílias e roupas. As nossas casas, as verdadeiras, são vidas inteiras vadias, são alegrias e queixumes, partilhas e apegos seguros sem domicílio fiscal. Lares doces de afectos com o frenético tempero quotidiano, mais sal, menos acre. O que os constrói é o quanto de nós próprios já demos e neles persiste. Como o Universo, a nossa casa não é um lugar físico mensurável, não, somos só nós sob uma pele macia sem tecto. E com as portas e as janelas que quisermos abrir.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Sucintamente? Um avião chamado Blanchett
![]() |
| (foto retirada daqui) |
Decalcado do argumento da peça de Tennessee Williams, A Streetcar Named Desire (Um Eléctrico chamado Desejo), o argumento não é original nem adaptado. É o que é, sob o pano de fundo da crise financeira de 2008 e do escândalo Madoff. Contudo, no universo de Woody Allen persistem duas Américas. A nova-iorquina primeiro-mundista - que saboreia o conforto e as delícias turísticas da Europa à medida que surtem os proveitos afrodisíacos de Wall Street - e a outra, a salve-se-quem-puder, onde nenhum direito ou conforto social está assegurado antes do árduo caminho self-made man. Uma vez mais, o eterno feminino é esfoliado até à essência das suas vicissitudes em variações concomitantes entre o ter, o ser e o parecer. O drama psicológico está lá, como nos bons velhos tempos, intenso, avassalador, obsessivo nas raias da loucura, numa Jasmine (ou Jeannette) com traços de Blanche Dubois. E afinal onde reside a verdadeira diferença? No cunho inaliável e inalienável de Woody Allen e num impressionante avião chamado Cate Blanchett. Os solilóquios intermináveis de Jasmine são imperdíveis, prendem-nos freneticamente ao seu imenso fracasso, convocando-nos até ao sentimento mais cruel e presunçoso do ser humano: a comiseração. Por mim, um incorrigível admirador da australiana, já a tinha salvo das tormentas da mulher-troféu, torneado aquela magnífica face angulosa e calado a fabulosa voz de Elizabeth. Por mim, um dos maiores suspeitos, acalmava-a no terraço de um qualquer Four Seasons de Saint Tropez ao som, óbvio, de Blue Moon.
Subscrever:
Mensagens (Atom)























