A Lua, como único satélite natural da Terra, é, a par do Sol, um dos astros mais fotografados. Salvo raras excepções, todos almejam os melhores enquadramentos - sobre os picos dos pinheiros da serra, entre os arranha-céus das grandes cidades, rente ao mar reflectindo fantásticos luares. Em todas as fotos que encontramos pela net há uma obsessão por colocar a maior lua, a super-lua, a lua de todas as luas. No entanto, no interstício entre o perigeu e o apogeu ela mantém um quarto do tamanho da Terra e, não despiciendo, orbita, em termos médios, a mais de 380.000 km desta. Azarinho! Se utilizarmos uma objectiva sobredimensionada, perde-se o encantatório enquadramento; caso contrário, aparece a dita toda pequenina perdida no meio da paisagem. Ó Paulo, mas eu já vi fotos de luas gigantes a rebolar pelos mares de Tavira, por entre os cactos do Novo México e, até, com um lobo a uivar dentro dela! Pois, acredito, também eu já vi uma caganita de pombo a escorregar pelas crateras de uma delas. Com o advento das câmaras digitais e respectivos softwares, a manipulação de imagens passou a ser tão comum como o raio que atingiu a cúpula da Basílica de São Pedro depois da renúncia de Bento XVI.
Voltando à Lua e às montagens: nunca acreditem na veracidade de uma fotografia de uma lua alva reluzente sobre o horizonte. É astronómica e fisicamente impossível. Se tiverem dúvidas, perguntem a vós próprios se já viram algo semelhante. Melhor: já viram algum nascer ou pôr-do-sol em que este se mantém com luz branca? Não são todos laranja-cor-de-fogo-quando-foge...? Pois são, e a razão prende-se tão só pela espessura de camada de atmosfera que os nossos olhos percorrem até ao sol - este caminho é tangente à Terra. Com a Lua passa-se o mesmo. Logo, é completamente impossível que a senhora Glaucia Menezes tenha fotografado sem recurso a montagem (ainda por cima, mal feita), a 22 de Junho passado, uma das super-luas mais vistas e apreciadas em toda a net:
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Porque qualquer Lua que se ponha no (ou nasça do) mar (zero hidrográfico) assemelha-se à luz produzida, em décimas de segundo, por uma lâmpada de tungsténio quando se apaga. E, então, o que se vê, goste-se ou não, é isto, é a minha Lua de Novembro:
Nota final: não quis com este post dizer que não se consegue fotografar uma lua próxima. Claro que sim. Mas só a lua. Aliás, fiz várias.






















