Entrar numa escola sempre foi um privilégio. Já fui aluna, já trabalhei lá dentro, agora, e no que toca a ela, sou acima de tudo mãe. Perco-me nos espaços dos corredores enfeitados com árvores de Natal realizadas em material reciclado, com as mochilas desarrumadas e espalhadas pelo chão, com o cheiro intenso do crescimento e de um futuro que me dá uma esperança renovada numa vida em movimento, que saltita sem cansaço por entre olhos pequenos, ávidos de tudo o que possam guardar. Gosto particularmente do crescimento, porque ele guarda muito. Guarda os professores de referência que ensinam a ser e a saber, guarda o amigo que partilha o pão no recreio e a borracha na aula de matemática, o que ensina o que é um verso e uma figura de estilo, e o que aceita a diferença mais do que os adultos. Aprecio quem consegue entrar no espírito real da educação, e sabe que sonhar utopias também faz crescer. Estimo, estimo muito todos os professores que conhecem e empreendem que não há crianças de primeira e crianças de segunda, e a esses tiro o meu melhor chapéu e faço a minha maior vénia. Por outro lado, fico ligeiramente angustiada com algumas conversas de esquina, usualmente externas à comunidade educativa. Pais que queriam uma escola perfeita num mundo imperfeito, que ambicionam espaços primorosos para os seus filhos notáveis, como se os menos perfeitos, os imperfeitos e os mal educados, pudessem frequentar outro lugar que não fosse a escola.
Há dias como este, perto do Natal, quando me passeio por entre as mesas do lanche, os " meninos bons" e os " meninos maus", entre o esforço e a dedicação de quem quer fazer vingar, em que me apetece abeirar-me destas pessoas e questioná-las educadamente, sobre qual a brilhante solução que apresentariam para os tais meninos que não deveriam estar ali. Gostaria que me dissessem qual o local onde poderiam aprender, crescer, ler e brincar, errar e ultrapassar, viver e ser, que não a escola. Apetece-me ainda perguntar, muito embora eu até julgue saber, se é essa descriminação que influem aos filhos na hora do jantar e nos passeios repetitivos de Domingo, em vez de os dotarem de meios para lidarem com a diferença, e com algum problema que possa surgir.
Não o fiz, claro, até porque não obteria respostas concretas e plausíveis, e não me apeteciam percas de tempo, estava numa escola que também é minha. Em vez disso, cheguei-me às mesas enfeitadas e comi uma fatia de bolo de laranja, acompanhada com um copo de sumo doce e vários encontrões descontrolados e esquivos. A escola é realmente um sitio fantástico. Se fosse perfeito, nunca seria uma escola.
Não o fiz, claro, até porque não obteria respostas concretas e plausíveis, e não me apeteciam percas de tempo, estava numa escola que também é minha. Em vez disso, cheguei-me às mesas enfeitadas e comi uma fatia de bolo de laranja, acompanhada com um copo de sumo doce e vários encontrões descontrolados e esquivos. A escola é realmente um sitio fantástico. Se fosse perfeito, nunca seria uma escola.





