Todos nós temos uma costela masoquista – há quem a tenha exuberante e quem a tenha bem escondida. Ora, o que é que a minha me diz? Que quem devia ter ganhado as últimas legislativas era o PS mai-lo seu timoneiro feroz. É uma questão de princípio: quem estraga e suja tem o dever de consertar e limpar. Neste sentido, Sócrates foi muito mais coerente e corajoso do que Guterres ao decidir recandidatar-se. Para masoquismo do meu masoquismo, perdeu. E foi aprender umas cenas em Paris exalando aos seus indefectíveis um promissor Je t’aime.
Não tenho a menor dúvida porém que, se tivesse ganhado com maioria absoluta, as suas medidas não seriam muito diferentes das do actual PM. Com uma não despicienda diferença: não ficava careca – o Luís compunha-lhe o capachinho. E à semelhança dos "PEC em PEC", teríamos um chorrilho de "resgate em resgate", ou "chumbo em chumbo", mesmo ao Domingo.
Este governo tem muitos defeitos, mas é preciso lembrar que o que muitos dos insuspeitos ex-governantes, que muito contribuíram para este estado de desgraça, chamam de copiosa incompetência, não foi mais do que a aplicação duramente negociada das medidas exigidas pelos credores para libertarem as respectivas tranches de carcanhol a cada avaliação. E, ainda não esquecer, que se hoje os impostos são pornográficos, em grande parte deve-se às interpretações arqui-executivas do Tribunal Constitucional.
O que é que isto tem a ver com as eleições europeias? Tudo. Se querem castigar esta Europa insensível e se não têm memória curta, votem! Em branco, no Marinho e Pinto ou no José Manuel Coelho, o taralhouco da Madeira, tanto faz; todas estas opções são as mais consentâneas com as nossas participações de excelência no Festival da Eurovisão. Ah, mas vós quereis vencer, mostrar a Conchita que há em vós, e empunhar o encarniçado cartão amarelo ao governo. Porreiro pá, votem no PS. Mas porque sois mais masoquistas do que eu e quereis mesmo um novo resgate, certo? Certo. Contudo, qual é a pressa?





