© Paulo Abreu e Lima

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Lua de Agosto (... e uma perguntinha sabeísta)

[Só um maluco como eu vem aqui colocar uma Lua a esta hora do dia neste mês, adiante...]
 

Todos nós reparamos que à medida em que o mês avança a Lua aparece-nos com as suas diferentes fases. Contudo, é à noite que mais nos detemos a olhá-la. Sabemos, por exemplo, que a sua forma varia com a face iluminada pelo Sol, que a zona em que não a vemos está lá, igualzinha, mas não alumiada. É a chamada noite lunar. Durante o dia, na Terra, ligamos mais ao Sol, a nossa fonte de Vida. A Lua passa para plano secundário, e de vez em quando lá a vemos e perguntamos o que ela estará a fazer. 'Tadinha. Por acaso sabeis que o tempo que passa por nós durante o dia é idêntico ao que nos percorre durante a noite? Ah, pois é. Então passemos à perguntinha: nesta Lua crescente o que vedes do lado esquerdo (mesmo à esquerda das crateras mais visíveis)? O imenso azul do Céu. Ora, bolas, e onde está o resto da Lua? Imagineis que sois Cupido e quereis acertar nEla, para onde apontam? Para a parte branca - ninguém atira setinhas para o azul do Céu infinito, certo? Volto a perguntar: onde está a parte esquerda dEla, então? Afinal, só vemos azul infinito... Se fossem tão malucos como eu, arriscariam por certo uma bela resposta.
ps: Foi excessivamente  publicitada a super Lua deste mês. Não acrediteis em super coisas, foi apenas um perigeu mais próximo. E, sobretudo, não sucumbam a fotomontagens. Pronto, era só mais isso.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Língua viva

Soube que determinada pessoa me achou excessivamente educado, que já não existem pessoas assim. Caríssima pessoa – que antes de pessoalmente a conhecer já lhe tinha apreço –, sou quase sempre educado por natureza, cerimonioso até para com quem mais considero, agora, excessivamente educado, não. Não existe, não se aplica, nem sequer é figura de estilo. Na educação, como em poucas outras coisas, tudo o que se diz excessivo constitui ou um erro ou uma impossibilidade. Se assim não fosse, advertiria então que em certos sítios e com uma única pessoa, sou excessivamente ordinário. E isto já, sim, é excesso de certeza, com toda a possibilidade.

Língua morta

O culto do mau feitio pode ser um charme; o da má educação, uma necessidade de reconhecimento; o do "não valho nada", uma chamada de atenção e o do desprezo, uma presunção. Já o culto do "não me chateiem" não passa de uma pífia autocomiseração. Um bocejo sem culto ou cultura alguma.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Às estrelas, deixem o Céu (iv)

 
Diz-se que as infâncias felizes não têm história. Não sei se alguém o escreveu, mas a minha foi muito feliz e teve muitas. Da minha extrema infância lembro-me do restolho vindo do fundo da terra nas noites quentes de Verão, do meu tio Luís sentado no alpendre com o Cohiba a dormitar encostado aos lábios e com a mão esquerda em concha sob o cálice de Armagnac; do meu pai vindo da caça com ar maroto, muito suspeito com o produto da pólvora, antecipando os meus olhos surpresos e os dos meus irmãos; das conversas cruzadas entre a minha mãe, a minha avó e a criada, a minha querida Odete, sobre as patifarias que o meu tio teria feito à tia Ritinha. Mais do que com estas palavras, bastariam dois ou três acordes do Steinway & Sons da sala de estar, uma ou duas fotografias da Leica do meu pai ou três ou quatro copos de balão meios cheios de conhaque para melhor descrever aqueles serões com cheiro a pinheiros e a castanheiros de felicidade. Não sei que idade teria, não interessa que roupa vestia, nunca descobrirei que horas seriam e muito menos que patifarias o meu tio fizera. Ficou aquele barulhinho doce, os retratos e os cheiros difusos pelas nossas reminiscências.

As infâncias felizes não têm história, mas algumas são como as estrelas que perduram muitas vidas.

agradecimentos

Há uns largos meses recebi o convite irrecusável de colaborar neste blog. Foi com honra que aqui estive durante este tempo, que interagi com os seus leitores, que me senti em casa. Hoje, é chegada a hora de sair. Agradeço com todo o carinho e admiração ao Paulo, e ainda a todos os que com simpatia me acarinharam por cá.

Muito obrigada.

domingo, 3 de agosto de 2014

pausa

Temos tendência a acreditar em nós. Temos tendência a sentir que de nossa força depende o mundo, o que construímos e o que derrubamos, o que escolhemos e o que perdemos. Quando assim não é, ou seja, quando a vida escolhe por nós os passos que não queremos, temos tendência à fé. A fé não é mais do que uma entrega, nossa ou de alguém, numa força que queremos muito que exista, além corpo, além mundo, além céu. Uma força que nos pegue quando caímos, que nos guie quando nos perdemos, que nos faça viver quando quase morremos. Normalmente é quando não nos bastamos que nos entregamos, e o que vem daí em diante parece acontecer por divindade, seja aquilo que for. Se for bom é milagre, se for mau é o percurso da vida. Aceito-o mais do que a qualquer coisa, sou obrigada a isso, mas não aprecio. Viveria muito bem com a constância da existência, uma não vida e uma não morte, mesmo correndo o risco, óbvio, de nunca por cá ter passado. Que interlúdio idílico neste humilde blog. Como se fosse possível o delírio que acabei de escrever, encabeçado pela fantástica sensação de sentir sem existir. 

sábado, 2 de agosto de 2014

símbolo

O símbolo é que nos dá o rumo. É o que constrói a nossa perfeição de existência, coisa totalmente impossível se não acreditarmos nele como a supremacia no nosso eu. É simples e claro: uma árvore pode ser só uma árvore ou pode ser um prazer, um animal pode ser só um animal ou pode ser uma companhia, um doce pode ser só um doce ou pode ser um conforto, uma chuvada pode ser só uma chuvada ou pode ser um alívio. Uma pessoa, uma pessoa pode ser só uma pessoa ou pode ser um amor, um amor pode ser uma vida ou pode ser uma morte, uma morte pode ser o medo ou pode ser uma vontade, uma vontade poder ser uma fé ou pode ser uma urgência. É por isso que quando escrevo, escrevo de alma e coração. É por isso que quando escrevo, escrevo de mim e do que o mundo é para mim, é por isso que quando escrevo as palavras me pertencem, são a minha realidade, o meu sentir, as minhas circunstâncias e a minha existência. Quem rouba palavras alheias não tem noção da exposição a que se sujeita. Quem rouba palavras alheias usa a vida interna de alguém para expressar a sua, como se a sua fosse um corpo vazio a necessitar de outras para ser também. Bem vistas as coisas e julgo que quem rouba vidas também terá pertinências para contar, nada nem ninguém existe no mundo ao acaso. Sendo assim, se o problema é a expressão, aconselho a sentir primeiro o que lhe escorre dos dedos, em vez de sorver os outros e aproveitar o que lhe convém. Experimente cheirar o Verão e respirar as pessoas, olhar os contornos e arrumar o que encontra, destilar as experiências e transformá-las nos seus símbolos, a deitar cá para fora o que é seu, e não o que nem sabe o que é. Vai ver que é capaz, que tudo o que escreve passará a pertencer-lhe, e ainda que daí em diante, qualquer assalto ou usurpação irá causar-lhe desconforto (não há fraude maior do que tentarmos incorporar  uma outra identidade). 

(Agora experimente plagiar mais este texto. Até lhe perdoaria que me roubasse algumas ideias, mas nunca se esqueça que as minhas avós são minhas, jamais serão suas. Jamais.)

PS: Obrigada pelo alerta, mãe preocupada.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

amanhã à mesma hora

Observo à minha volta que confiar no outro pode ser bem complicado. Confiar no que sente, no que quer, no que precisa, no que ambiciona. Por vezes, tantas vezes, escolhemos testar. Preferimos, estrategicamente e com forte carga egoísta, arriscar até deixar de rastos, visualizar até que chão vai cair, quantas lágrimas vai deitar, quantas noites passará em claro, visíveis a olho nu. É claro que se pesam os resultados em quilos de substância. Aumentam de peso os que se arrastam muito tempo, os que encharcam caixas de kleenex em lágrimas e ranho, os que parecem ir morrer para sempre (voltem, estão perdoados). Os que não se manifestam a olhos vistos são leves e descredibilizados. Porque não demonstram logo não sentem, uma análise de funcionamento que pode perfeitamente equiparar-se à avaliação de sinais exteriores de riqueza. Não consigo, nunca consigo deixar de rematar. A confiança (sim, farto-me de falar sobre ela), ou vive connosco ou jamais nos chegará, mais ou menos como qualquer outra substância que nos escorra nas veias: ou o corpo a fabrica sozinho ou necessita de constantes comprimidos, momentâneos, apaziguadores, calmantes ou excitantes. E amanhã outra vez.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

meco (again...)

Percebo a suprema necessidade de se encontrar um culpado para o caso do Meco. A busca da justiça, o despejo da revolta, o apuramento de um vivo que pague de alguma forma a morte dos mortos, a maior urgência de quem cá fica (ou a busca incessante de algum sossego). Faz-me pensar que já me cruzei com a ela (morte) tantas vezes. Não só quando a encontro num corpo ou quando a sinto chegar direccionada, quando a leio nos jornais ou quando a olho no cemitério, descansada (e enfeitada). Já a vi de frente em riscos que cruzo ou cruzei, inúmeras vezes, ao longo da minha vida. Haverá quem nunca tenha corrido algum? Existirá quem não tenha sujeitado o ser a algum excesso injustificado, perigoso e abusado? Demasiado abusado? Será frequente encontrarmos pessoas certas e formatadas, que saibam exactamente o que fazer para preservar o bem mais precioso que temos, sem inseguranças associadas? O factor sorte, algum bom-senso emergido no último instante, um rompante "milagroso", entre muitas outras justificações, poderão explicar o porquê de tantos de nós por cá andarem. Mas o azar, um descuido maior, um risco mais elevado do que o calculado, uma fúria do mar, um carro desgovernado, uma piscina cheia, podem cruzar qualquer caminho, e a culpa pode mesmo ser só da vida. Não sei se é o caso, mas se assim for, a única coisa sensata é deixá-la seguir (à vida, injusta mas soberana). O excesso de empenho na exteriorização da revolta está, se for esse o caso, mal direccionado. E o luto nessas situações pode ser bem mais complicado.

terça-feira, 29 de julho de 2014

erros

Reconhecer as falhas pode ser um beneficio tremendo, ou pode ser quase nada. Vale se a partir daí exercermos, é inútil se não aprendermos. A assumpção do erro por si só pode ser a mera satisfação de uma necessidade de reconhecimento, de validação, de consciência (e de abolição do rótulo da teimosia). O processo de seguimento da acção é bem mais complicado, mais ou menos como uma dieta ou um processo de desintoxicação de substâncias. O inicio pode dar-se cheio de si, mas se daí em diante não nos empenharmos continuaremos demasiado gordos, excessivamente dependentes, e simplesmente assumidos. Em termos práticos (e só em termos práticos), é igual a coisa nenhuma. 

domingo, 27 de julho de 2014

...


(Fotografia antiga da Nazaré. Retirada do Google)

Não me lembro de quando comecei a gostar de observar pessoas, mas lembro-me de as observar desde sempre. Em silêncio, não há palavra que me escape da boca quando olho as famílias que se apinham de roda da lancheira de praia, as que se desdobram de olho na criança na água, as que observam de perto o bebé que aproveita a hora da sesta para provar pela primeira vez o que é o corpo na areia e a adaptabilidade de uma substância, além do corpo materno. Leio letras e palavras quando tenho tempo. Folheio livros que sorvo e outros que simplesmente miro, o tipo da letra, a grossura da capa, o interlúdio da história, o objectivo do autor, quase sempre pretensioso. Quando caminho pela areia faço-o sempre muito devagar. Observo as gaivotas ao longe, as montanhas rochosas ao perto, deixo que o gelo da água me toque o tornozelo afoito, nada mais do que isso, não sou dada a sacrifícios maiores sem proveito declarado. Não tenho nunca como não regressar às origens. Temo ser velha e continuar a comer pão quente da mesma padaria, bolo macio da mesma pastelaria, peixe fresco da mesma praça. E a olhar o mesmo pôr-do-sol ao longe, como se a cada tarde o astro fosse outro e eu o olhasse sempre pela primeira vez (é mais ou menos como um amor). A vila envelhece e eu não queria olhar que acontece, ao mesmo tempo que me apetece, muito, senti-la a fazer um caminho. O meu caminho. As casas perdem tinta, as mulheres perdem saias, os homens que pescam não são substituídos por outros, a era evolui. Observo em silêncio, mas falo sempre para mim mesma e eventualmente para alguém que não veja comigo o mesmo que eu (gosto de anonimato, manias de profissão). Falo para mim que o que somos vem do tempo, que por consequência envelhece e desgasta. A praia que mais envelhece comigo é aquela, será sempre. Na feira, na faina, no mar bravio e no sítio de ondas gigantescas que quase nos roubam o sossego do norte, não há direito. As minhas avós, essas, ainda lá moram. No barquinho de chocolate doce, na compota de tomate, no pão quente da Tamar, mesmo aquela que já me deixou há muito (maneira de falar, jamais me abandonará). Essa mora comigo mas também mora na pedra onde Dom Fuas Roupinho segurou um cavalo sob ordem da divina Santa. Eu também lá habito com um ano de idade, arrumada a um pau de barraca, veloz como um lebre na direcção da água, lenta como uma tartaruga na subida do regresso (hei-de questionar-me para sempre, que espécie de pele teria eu). Às vezes penso no que as pessoas como eu julgarão de mim: se me observam com olhos de história ou se me confundem com a multidão estendida na areia da praia (impossível, há uma espécie de osmose inconfundível entre mim e o lugar). Bem feitas as contas, tudo somado, e já lá vivi uns bons anos. Volto sempre, a apreciar o silêncio. Nunca me canso dos meus cheiros, dos meus paladares, das minhas carreirinhas nas ondas maiores. Não fosse o frio e hoje aprenderia surf. Assim limito-me a observar, o que não deixa de ser uma tarefa de importância suprema, assim saibamos arrumar o que olhamos. Há tarefas hercúleas. Arrumar o que olhamos sem fazer barulho é uma delas. Entrar no frio da água é outra, mas dessa, como já perceberam, já desisti há muito.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Lua de Julho

 

No local onde me encontro é muito difícil ver a Lua. O Céu, quase sempre enevoado, apaga-a com borrachas brancas e cinzas e, por vezes, quando o vento lento rasa o Atlântico adormecido, surgem algumas das suas aparas. Ontem defrontei-a magrinha antes do Sol raiar. Um dia, eu sei, hei-de apanhá-la ainda mais fina, tão escanzelada que se parecerá com meia circunferência desenhada a giz num quadro de ardósia. Um dia voltarei à escola e pedirei à Professora Elvira que ma desenhe para eu fotografar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A antropologia da coisa

Catarina Marcelino, antropóloga e deputada do PS, é contra a avaliação dos professores. A sua Antropologia Cultural deve ser suficiente para explicar a coisa.


 
Post Scriptum: entretanto surgiu a desculpa... - podemos inferir que, além de Albert Einstein, a Catarina Marcelino é a inspiração e a esperança de milhares de crianças disléxicas no mundo. Muito bem... e a água benta?

domingo, 13 de julho de 2014

reflexão

Decorre o período de reflexão do ano lectivo. Há sol, um pouco de vento, férias ainda grandes e pouca vontade de recomeçar. Reconheço os sinais de alerta a léguas de distância. Nunca finjo que não os vejo, prefiro sempre olhá-los de frente, percebê-los, contorná-los, se for caso disso. Às vezes dá mostras de não ser. Às vezes trilham-se caminhos onde parece não haver regresso, vidas que aparentemente morrem novas, histórias que se perdem algures num beco que nunca ninguém viu, mas que sabemos que existe. A meio do percurso a sociedade brinda-nos com a escola e ditam as regras, a família e o mundo, que é esse o caminho para se ser gente. Nada mais falso. É parte do caminho, não é o caminho. Ainda assim, e conservando a sua fulcral importância para o desenvolvimento pessoal de cada um, é preciso ter cuidadinho. Porque se é fácil para uma criança "arrumada" no seu lugar perceber a importância da escola (e mesmo assim pode não ser), numa criança "fora de sítio" isso pode não fazer sentido. Nós vivemos, crescemos, amamos e aprendemos a fazer sentido. É o que nos faz sentido que nos transporta além fronteiras do corpo, que nos permite excedermos o que julgamos ser capazes, que nos possibilita a entrada no mundo da ambição. Mas a vida nem sempre se comporta, nem sempre nos paga o que nos deve. E nessa altura, sejamos crianças, adolescentes, adultos ou velhos, deixamos de acreditar no que quer que seja, mesmo que o que quer que seja nos chegue por teorias matemáticas irrefutáveis, proferidas por mestres maiores, ensinadas por regras universais que o mundo aclama calorosamente como certas, precisas, concisas e verdadeiras. Os jovens também conhecem verdades e limitações. Também sabem ensinar, também sentem, também manifestam revolta, e acima de tudo ainda conseguem sonhar. Há quem diga que não é assim. Há quem afirme de forma peremptória a inexistência de grandes divagações em prol da educação. Há ainda quem defenda ser esse o único caminho para moldar disciplinas e orientar autoridades. Não concordo, não posso concordar. Ora leiam. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

lugares

Tenho uma amiga que fez um filho sozinha. Não sei por que manobras se perdeu, que boca beijou, que pescoço agarrou, em que ouvido gemeu. Não faço a mais pequena ideia quem foi o homem que lhe segurou as ancas, que lhe abriu as pernas, que a perfurou até ao lugar sagrado (o único lugar sagrado que eu conheço). Desde esse dia que a encontro largada, desamparada num destino que escolheu solitária, num caminho de dois pés, uma barriga, duas mãos e um corpo, que daqui a nada vai parir um bebé de um só colo. É por isto que eu venero a maternidade até ao limite das minhas forças. É por isso que a considero a tarefa mais plena e ao mesmo tempo mais árdua que Deus ao mundo deitou. Uma mãe em gestação é uma mãe de alma e mãe de corpo, uma mãe que alimenta e uma mãe que sustenta, uma mãe que ampara e uma mãe que se entrega. Um pai em gestação tem o domínio da opção. Pode estar ou pode não estar, pode ficar de corpo sem alma ou de alma sem corpo, pode amparar ou pode só olhar, de perto, de longe ou até de cima, numa distância de segurança, abaixo da qual é o lugar da mãe. Esse lugar, da mãe e só da mãe, é aquele que é conhecido e sabido de todas as mulheres mães, um lugar onde se encontram partilhas e medos maiores, o melhor e o pior lugar de todos os lugares. Tenho todo o respeito pelos pais que escolhem a mãe e o filho. E tenho um profundo desprezo pelos que se escolhem a si.