© Paulo Abreu e Lima

quarta-feira, 13 de maio de 2015

quando for grande

Zézinho tem treze anos e um ar pousado entre o reguila e o muito grande. Quer lá saber da escola, da mãe que se preocupa com o percurso, do pai que está longe a arranjar cabos de electricidade, do irmão gémeo que é o melhor dos bons alunos. Um dia, quando a franja deixar de lhe cair para os olhos insistentemente, quando o telemóvel deixar de dar apitos contínuos, e quando o bigode crescer o suficiente para ser cortado, talvez se debruce sobre esses assuntos. Das poucas questões, deixo escapar se ele gostaria de ter a profissão da mãe ou do pai. Erro crasso, não estou ali para perguntar coisas, saiu-me entre um raciocínio e o outro, um deslize imperdoável. E depois disso foi assim:

- Acha mesmo que as crianças sonham ser profissões normais?
- Hum, tens razão. O que sonhas então, não me digas que gostavas de ser jogador de futebol ( outro pontapé ao lado, segunda vez, dois-zero...)
- Acha mesmo?! Já ninguém quer jogar futebol...
- Então? 
- Sei lá. Coisas como escritor, poeta, músico ou psicólogo...
- Certo. De todas as outras, já falaremos, mas em que é que psicólogo não é normal?( Aqui, confesso, comecei a ficar aflita...)
- Acha mesmo?! Não é, mas eu gosto porque olho para os outros e tento percebê-los. Gosto ainda de imaginar o que os outros pensam que eu estarei a pensar. Já viu coisa mais estranha e difícil do que esta? Mas gostava muito. Ou então poeta. Também posso ser poeta...
- Pois... Os poetas vivem e escrevem com o coração...
- Hum... Isso não sei fazer. O meu coração não sabe viver nem escrever...

Em dois minutos levei uma lição que me ensinou que os meninos querem sempre ir mais longe do que a normalidade, que compreender os outros é um sonho desses, e, por último e sem mais nada, descobri que o mundo do Zézinho o ensinou muito bem a raciocinar. O mundo dos adultos, quando chega cedo demais, mata sonhos e profissões. Um dia destes não vai haver poesia, contos, música e psicologia.

sábado, 9 de maio de 2015

regra de três simples

O entendimento nasce-nos quando queremos entender. Quando o alinhamento A se cruza com o alinhamento B, quando a linha recta se aninha ao formato, quando a esquina se atenua e a distância diminui. Para entendermos é necessário desmancharmos o todo em partes, desfazermos o nosso eu e sorver as chuvas que correm, em torrente e de enxurrada, num baldio qualquer. É preciso escutar sem encaixar no nosso mundo, soltar as amarras do próprio, sentir e acreditar. Acreditar, é muito por aí. Crer que o outro não é nossa imagem e semelhança, esquecer o espelho dos livros, os gomos das laranjas, as folhas da oliveira e as cores foscas do pó. A confiança é um lugar perdido entre o que queremos e o que ansiamos, e nela reside a possibilidade de alguma coisa vir a ser. Não confio, dizem-me amiúde, entre uma lágrima, um ruído, um desespero, um grito enraivecido ou um sussurro quase morto. Ensino sempre o mesmo, não me custa, está escrito em todo o lado, mas às vezes canso-me de regras e perco-me também. Quando me encontro outra vez, chego sempre ao mesmo local de inicio. O entendimento nasce-nos quando queremos entender. Quando o alinhamento A se cruza com o alinhamento B, quando a linha recta se aninha ao formato, quando a esquina se atenua e a distância diminui. É uma regra de três simples, onde a incógnita pode ser um resultado perfeito, em vez de uma ignorância solitária. 

( Há quem busque aceitar, eu preciso de entender. Aceitar pode ser egoísta, entender é sempre dual.)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sol de Maio

 
 
Calcorreei a costa vicentina impiedoso, deixando pelas infindas praias alvas promessas impossíveis de realizar, como um carteiro de sacola cheia de cartas de poesia sem destino mas ávido por as entregar, como um mensageiro almocreve que solta solene a voz ao mar e segue sem esperar. Peregrinei pelas suculentas camarinhas pérola, pelos chorões gordos rastejantes, pelas perpétuas das dunas, pelas escarpas e falésias de basalto, calcário e saibro. Andei sem me fartar pela serpenteante estradinha junto ao Oceano bravio, cor de prata cristofle manchada de verdes e azuis cinza, até Vila do Bispo, de sua graça D. Fernando Coutinho.
 
Desci o monte e cheguei ao restaurante da praia na hora exacta. Pedi uma sandwich de atum com cebola roxa, uma cerveja e um café. Já levo, onde estão? – pergunta o empregado. A máquina e o tabaco estão na mesa lá fora – respondi. Depois do repasto e do cigarro baixei ao areal, montei o tripé e comecei a disparar. Não precisava sentir aquele expressivo sossego, fotografar traz-me paz suficiente, uma espécie de concentração que me eleva os pés descalços do chão. Se algum dia me virem a levitar, estou de máquina em riste apontando na vossa direcção. Passados uns minutos oiço uma voz ao longe: "sorri, sorri".
 
 
Era uma mulher de silhueta esguia de telemóvel na mão caminhando até mim. Não dizia "sorri", mas "sorry" enquanto me fotografava. Falava um Inglês incaracterístico, às vezes parecia gaélico, não teria trinta anos, muito ruiva e sardenta. Hi, no problem, where are you from? – perguntei. I'm originally from Auckland, New Zealand, but I live in Edinburgh – respondeu com um sorriso enquanto afastava o cabelo dos olhos. Disse-me que visitava os avós reformados com residência permanente perto de Sagres, era órfã de mãe e pai e adorava Portugal – This is gorgeous, an amazing country!
 
Carol manifestamente exagerava para quem nascera na Nova Zelândia, ou mesmo vivia na Escócia, mas continuava frenética: You’re a lucky guy. Pediu-me para ver as fotos e tirar uma com a minha máquina. Geóloga de formação, integrava uma equipa internacional de observação e estudo das placas tectónicas. Voltamos para a esplanada do restaurante, fui lá dentro pedir outro café para mim e uma cerveja para ela. O empregado voltou a perguntar: já levo, onde estão? Respondi: estamos ali.

 
 

domingo, 3 de maio de 2015

mães

Se tudo correr bem, as nossas pessoas são sempre as maiores do mundo. A minha vida teve três mulheres, uma mãe e duas avós. A primeira a partir deixou-me um rolo da massa, um anjo da guarda e o gosto pela culinária. A segunda deixou-me um tapete de Arraiolos, a delicadeza das mãos e alguma vaidade. Sempre me perguntaram qual dessas duas era a minha preferida, mas eu nunca respondi, porque na realidade não sabia. Eram minhas e eu amava as duas, nos defeitos e nas virtudes. Agora, muito mais tarde, depois de as perder, julgo poder dizer que as adoro mais do que nunca. A vida sempre nos ensina o que realmente importa, e que usualmente só vemos melhor quando nos desaparece. Hoje senti a falta delas, na mesa do almoço. A verdadeira, a única que ainda me resta em carne e em osso, levou a flor que lhe dei à fotografia da dela. O mais novo da família bateu palmas e deu um beijo à avó. Gostava, gostava muito que os dias lhe ensinassem atempadamente que o amor mais próspero é o que ele pode viver na presença. O outro, o que sobra, é detentor de uma unilateralidade que intensifica e endeusa o sentimento, mas que não é mais do que uma memória que procuramos e encontramos em tantos lugares vazios. A nossa memória faz parte do nosso mundo, dirão vocês certamente. É correcto, direi eu, mas o que ainda tenho para elas morre dentro do meu corpo, num amor que só a mim pertence. Não é pleno, não é certo, falta qualquer coisas a um amor sem corpo físico. Falta calor, falta um sorriso, faltam uns olhos, faltam umas mãos. 

Eu e o meu filho comemos bolo de bolacha ao jantar, duas fatias cada um. No final sorrimos um para o outro, enjoados e enfartados. Amar todos os dias cansa, pensei eu. Só quem não ama, não sabe disso.

sábado, 2 de maio de 2015

deves ter a mania, deves


(Imagem retirada do google)

O Hugo Gonçalves conseguiu convencer-me de que a Michelle Keegan é pouco mais do que uma ilusão óptica, e eu estou-lhe tão grata por isso que ele nem faz ideia. Deixo ao critério de cada leitora considerar o que ele escreve como abrangente. Eu pela minha parte, confesso, resolvi não perder tempo a pensar no assunto. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sol de Abril

 
Às vezes queremos sangue para não sentir o sabor do sal das lágrimas contidas. Outras, sorvemo-las até sararem as feridas auto-infligidas. A maior contradição, e aflição, da raiva é esta ser "um veneno que bebemos esperando que os outros morram".

120 anos em 7 minutos (só para os amantes do cinema)



( Retirado daqui.)

sábado, 25 de abril de 2015

germana

No meu prédio alguém usa um perfume irrespirável. Sinto-o quando subo a escada, entre  primeiro e o segundo andar, e é tão doce quanto o da velha Germana, a mulher que nunca morreu. Há pessoas que nunca morrem, mesmo quando o mundo se farta delas. Mesmo quando a pele engelha até à mais funda prega, mesmo quando o coração pára por tempo indeterminada, mesmo quando as pernas não andam, as mãos não agarram, a boca não come. Vive rodeada de pérolas falsas e vestidos cor-de-rosa, algures num palacete, perto de Paris. Da última vez que a encontrei fiquei assustada, pois ainda falava. Deu-me quatro beijos e questionou-me sobre a família, agarrou-me no braço com força e eu tive medo de a sentir fria, morta, coberta de pechisbeque. Não aconteceu nada disso, estava morna, temperada, apaziguada, viva, perfumada com a colónia de rosas mais doce do que um chá de jasmim com flores. Não me lembro há quanto tempo foi isso, mas julgo que já se passaram muitos anos. Preferia tê-la esquecido de vez, e a verdade é que estive quase. Foi mulher que se encaixou nas profundezas das minhas memórias, adormeceu e viveu calada, não deu ares de graça, não se sacudiu, não me acenou na vida nem nos sonhos rancorosos, resolveu morrer para mim e deixar-me sossegada. É a vizinha de baixo a culpada deste regresso maldito. É ela que cheira a flores baratas e que me trouxe à memória a velha que nunca morre. É também ela que ousa mandar-me andar devagar em casa, sem saltos, como se um simples acordar ao som de uns passos fosse comparável à memória olfactiva, a mais olímpica de todas as memórias. Gosto muito dos meus vizinhos, apesar de tudo. Fazem-me relembrar que mesmo os velhacos que me morreram para sempre, afinal ainda cá estão. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

ovo escalfado em molho de tomate

Passei o dia a pensar no ovo escalfado com molho de tomate que tinha em casa para comer ao jantar. Foi ao almoço, quando uma dor de cabeça se instalou em mim, foi nos intervalos de escassos minutos, enquanto me restabelecia das vidas que só me pertencem de oito em oito dias, expectantes de que o meu corpo as acolha, as afague, as digira, as viva, as mate, se for caso disso. Nas alturas mais acesas valeu-me Deus, esqueci-me do assunto do ovo e do molho de tomate. Na descida apanho a loja da fruta biológica ainda aberta. Maçã de Alcobaça, Laranja do Algarve, caixas de madeira empilhadas umas nas outras com as mais deliciosas frutas que se possa imaginar. Não sou grande apreciadora de fruta. Não tenho paciência para descascar cascas impertinentes, para espremer sumos magros, para arranjar moranguinhos doces e suculentos, entre outras preparações que não valem o prazer que me dão. Um sacrifício do género para valer a pena tem de me dar algo em troca, como um belo suspiro degustativo, físico, até intelectual. E para além disso o meu tempo é precioso, e dez minutos a descascar um ananás é muito para mim. Em dez minutos posso dar a volta a um estádio, posso fazer uma omeleta com dois ovos, posso comer um chocolate inteiro, posso ouvir uma música que me acalme, posso fazer um filho, posso chorar de amor. Acabei de comer o ovo, fazia-se tarde. Não me soube pela vida, mas soube-me por um boca doce do tempo da minha avó. Não há dia no mundo em que não me lembre dela. 

sábado, 18 de abril de 2015

dessintonias

Preciso de me retirar do mundo e começar a escrever um trabalho forte. Preciso de encontrar o rigor dentro dos meus dedos, a imaginação a brotar-me dos olhos, a técnica a desviar-se para o caminho concreto, coisa difícil, quase impossível nos dias que correm. Tinha pensado que era hoje que me dedicaria à tarefa. O dia está cinza claro, nem muito quente nem muito frio. A janela está bem aberta e a gata repousa numa almofada do chão, nunca percebi a delicia que encontra perto do azulejo gelado. A televisão velha descansa, não há séries pachorrentas que me despertem, parece-me que o cenário estaria perfeito. Penso um pouco sobre o assunto e descubro que o problema está no frango assado do almoço, com a sabor a sumo de limão. Nunca soube comer frango de faca e garfo, preciso de o lascar com as mãos, depenicá-lo devagarinho, lamber o molho dos dedos, esfregá-lo no pão. Depois disto o meu corpo esgotou. Infelizmente para mim não sou pessoa para conseguir vários registos numa mesma tarde, e portanto hoje restam-me sestas, pequenos devaneios, deleites diversos e muito descanso. Para trabalho a sério terei de começar com uma sopa áspera de nabiças. Ou com uma madrugada precoce, um banho gelado e um café forte. Cada vez preciso mais de estados de entendimento, e este mundo que eu conheço está cada vez mais repleto de dessintonias. Vejo-me à rasquinha para sobreviver.

o que não nos mata

A minha avó sempre me disse, carregadinha de orgulho, que aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes. Muitos anos depois da morte a levar para a terra, vejo-me obrigada a contrariá-la: o que não nos mata pode tornar-nos muito mais fracos. A minha felicidade é que ela nunca descobriu isto. A minha esperança é que, bem vistas as coisas, ela tivesse a razão. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Temos o direito a ser felizes?


Não, não temos.
Qual é a diferença entre um jovem e um adulto? Por graça, costumo responder: a diferença está no preço elevado dos gadgets que o adulto possui ou deseja possuir. Não me refiro às engenhocas electrónicas, mas aos objectos fontes de desejo, quase sempre efémeros, com que um adulto se defronta ao longo da vida. No universo lacaniano (Jacques Lacan), tanto pode ser um automóvel último modelo como a mais formosa actriz da actualidade, um Patek Philippe ou uma noitada de sexo bravio. Dir-me-ão: ser adulto não é isso. Responder-vos-ei: não, não é, mas muitos pensam e agem assim. Só não o dizem.
A ideia de felicidade, qualquer que seja a sua abordagem (filosófica, religiosa, psicológica, económica), está sempre associada a bem-estar, a prazer, a boa adaptação, a paz, a "salvação", a ausência de desconforto e de dor – a qualquer coisa invariavelmente boa. E nesta perspectiva ninguém pode arrogar-se no direito de ser feliz, pela singela condição de que qualquer direito (positivo ou natural) não determina nem consagra este estado de graça. Não me vão dizer que leram no código civil, na constituição ou na declaração universal dos direitos humanos uma única referência a felicidade, logo, por que carga de água esta seria um direito, mesmo que consuetudinário? Não é, não o possuímos, não constitui costume.
Voltemos atrás e reformulemos a questão: o que distingue um adulto de um não adulto? A capacidade daquele em assumir compromissos, fazer escolhas em consciência e levar por diante os seus objectivos, arcando, uma por uma, as consequências de cada um dos seus actos. É esta a distinção, é assim que se atinge a maioridade e a ulterior maturidade. Muitos nunca chegam lá e outros ficam pelo caminho, depende de cada um; é um processo individual e solitário. Por analogia, retomemos a ideia da almejada felicidade. O indivíduo adulto, tendo plena consciência que esta não advém de nenhuma inspiração divina, nem de normas naturais ou objectivas, sabe que se a quiser atingir tem de se sujeitar a alguns preceitos. Aceitar o outro tal como ele é, será um. Aceitar-se a si próprio, outro. Aceitar as contingências e vicissitudes externas, outro ainda. O Homem não está predestinado à felicidade nem esta é um direito adquirido. Mas consentir, ceder e responsabilizar-se pelas escolhas em honradez é meio caminho para uma promessa de tranquilidade, satisfação e felícia. Há um mundo inteiro entre um direito e uma obrigação. E a felicidade, por mais que soe esquisito, está mais próxima desta.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

cadeira vazia

Há muito que perdi a tolerância para quem me diz com pouco engenho, entre um sorriso arriscado e uma lábia exagerada, que também tem muito de psicólogo. Como se a minha profissão, a ciência e o protocolo de intervenção, tivesse nascido comigo, e a dedicação com que me entrego a ela fosse uma mera perda de tempo, porque bem vistas as coisas está ao alcance de qualquer pessoa que consiga ouvir alguém durante dez minutos, proferir duas palavras e sentir-se repleto de capacidades de intervenção. Este facto já me causou menos aborrecimento, nos tempos em que a minha paciência era uma grandeza quase maior do que a sapiência desta gente. Hoje em dia, com a consciência plena e completa da minha absoluta ignorância, encontro-me totalmente intolerante para este tipo de afirmações obsoletas. Sendo assim, e fazendo uso de uma técnica terapêutica bem conhecida, não sei se só nossa, se do público em geral, vou aproveitar este espaço para dar lugar à cadeira vazia, aquela a quem eu direi o que me aprouver no sentido de destilar o que acumulo: caras pessoas que se julgam capazes de entender e intervir na mente alheia, fiquem-se pela vossa e já terão trabalho. Se há coisa que nunca compreenderemos é a psique, porventura muita mais complexa do que os planetas conhecíveis por intermédio da tecnologia que a nossa inteligência, sabe-se lá como, produz. Mesmo quem se debruça sobre ela com muita dedicação tem sérias dificuldades, ainda que estude, leia, releia, experimente e execute, há falhas constantes e erros maiores. Terapia, a técnica que aplicamos, não é uma mera conversa. Para essas existem os amigos, os conhecidos, a senhora do café que todos os dias se senta ao nosso lado, a empregada de balcão que nos serve o cafézinho, o advogado que nos tratou do divórcio, a padeira que nos vende o pão. Nós não conversamos. Nós quando trabalhamos escutamos, enquadramos, acomodamos, tudo à luz de modelos que perderam décadas de existência com o objectivo de aperfeiçoarem a acção. Não somos meros escutas de palavra fácil na ponta da língua. Não estamos sempre certos, não temos fórmulas matemáticas, somos ambiciosos nas nossas crenças, e queremos aprender continuamente aquilo que sabemos nunca chegar a conhecer. E por isso falhamos, muitas vezes, apesar da ciência. Posto isto, remato, por muita conversa, muita audição e muita compreensão, quem não sabe realmente do assunto tem tanto de psicólogo quanto eu tenho de freira. E olhem que eu sei rezar. E bem.