© Paulo Abreu e Lima

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como as tuas


 
Nem sempre há palavras que nos mostrem luz,
Escassas almas cristalinas, no cimo enterradas,
Invisíveis de dia e de noite que se aninham em bruma.
Nem sempre há palavras onde todos os males abismem
Pelos sete palmos de terra, tácteis do centro ao céu;
Que se alimentem de nuvens, restolho, sopro e trovão.
Palavras precisas, urgentes, antónimas e dissidentes.
Como as tuas.
 
 
 

15 comentários:

  1. Culpa minha, talvez(!), mas desta vez, não sei porquê, a música, as palavras e a fotografia, não estão em harmonia!
    Ouvi uma canção de amor, li palavras que me transmitiram algum desespero, e vi uma fotografia ... que a mim me transmite desconforto/frio/desconhecido ;(
    O que me falhou, Paulo?

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    1. Culpa minha, de certeza!

      Uma canção de amor, palavras que desesperam por outras de amor e uma fotografia que encerra o desconhecido... amor.

      Terei falhado...? É possível, sim.

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    2. Por maioria parece que a culpa é mesmo minha. ;)
      E agora acho que já sei porquê.
      Na canção não consigo ouvir desespero. Aquele desespero que ouço nas palavras. Na canção ouço amor, algo suplicante, com desejo mas sem angustia.

      Mas na fotografia é que não consigo mesmo ligar aquele desconhecido com amor.
      Ele há desconhecidos e desconhecidos! :) Há os que me fazem fugir e há os que me atraem. O desta fotografia faz-me fugir! É frio, humido, triste, desconfortável ...
      Quero acreditar que o desconhecido do amor me atrai, que me dá vontade de seguir, e seguir , e seguir ... mesmo que se prolongue eternamente!
      E acredito que é quente, alegre, doce, confortável ... enfim ... divagações que não se explicam ... para mim a fotografia tinha que ter muita luz, muita cor, transmitir uma sensação de atracção ....

      Paulo, desculpe estar alongar-me ... apeteceu-me explicar. Não sei é se consegui! :)

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    3. Ora, ora, Maria João, quem disse que a maioria tem sempre razão...? :)

      Antes de mais, agradeço a disponibilidade com que me comentou (sim, que o tempo é um bem escasso). Um dia, a Helena Sacadura Cabral (lisonjeira) disse que eu era hábil em provocar reacções. Aqui nem foi o caso. Vamos lá ver o que quis transmitir e a Maria João assim não entendeu. Muito mais do que as palavras ansiosas, há toda uma sonoridade na música que me remete para a melancolia - perdoe-me a antítese -, mas melancolia "suplicante", como diz. As minhas palavras procuram outras, muito escassas mas desejadas, de alguém especial e, por fim a foto (ah-ha!)... se reparar bem, ao cimo há luz branca - morte ou amor - e, isso não consigo transmitir por este registo, estava muita humidade, sim, mas um calor sufocante! Mais acima da estrada, está um sol radioso. No fundo, o que quis dizer é que amor não é sempre bom, nem sempre mau, nem sempre uma só coisa. É um conjunto de coisas e, entre elas, evoquei três: anseio, desespero/esperança e caminho desconhecido.

      Foi um prazer trocar estas palavras consigo, Maria João, a sério :)

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  2. Não encontro desarmonia entre a música, as palavras e a fotografia. A canção é de amor, sim, mas há na forma de a cantar um desespero intrínseco que me parece estar de acordo com as palavras nas quais coexiste a dicotomia dia/noite, luz/escuridão, céu e terra.
    E, no entanto, há um certo desconforto em tudo isto (aí concordo!) cuja chave está, claríssima, na fotografia, ao exibir a incerteza do caminho. É bonito, mas perturbador...
    Fará isto algum sentido, ou pus-me de repente a delirar?

    Beijinho :)

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    1. Isabel, quando vi pela primeira vez o seu comentário só pensei "haja alguém que me entenda!" - curioso como analisa de uma assentada as dicotomias que emanam das minhas palavras... Quanto à foto, retórico, pergunto: existirá alguma coisa que perturba mais do que o amor...?

      Por mim não delirou, o que é uma pena :)
      Beijinho :)

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    2. errata: perturbe em vez de perturba

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    3. Não são precisas "erratas", Paulo, (não tínhamos já combinado isso?) e, confesso, nem tinha dado pelo erro, o que prova que era realmente insignificante.
      Mas, já agora, aproveito para responder à sua pergunta, mesmo sendo retórica. Não há nada que perturbe mais do que o amor, não há nada mais avassalador, porque até sendo bom e mau, claro e escuro, incerteza e equilíbrio, plenitude e "désarroi" e tudo isto alternadamente e/ou em simultâneo, é o que dá sentido ao caminho e faz a vida valer a pena. É como diz a canção:"Sans amour on n'est rien du tout" :)
      Agora calo-me...

      Beijinho :)

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    4. Mas podia continuar, ia muito bem embalada. :)
      Beijinho :)

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  3. Palavras dessas Paulo, nunca podem ter desconhecimento no final. Quando muito, uma névoa que é a vida, o local onde tudo acontece sempre na escuridão do futuro incerto, mas sempre consubstanciado no sentido que nos faz, a única clareza que podemos ter. O ser humano não tem outra...

    Podes escrever mais destes, deixa-me que te diga. E fotos destas também podem vir mais...:))

    ( Beijinhos. Isto de ser colega de blog tem destas coisas, deixamos de comentar, parece que não faz sentido. Mas às vezes tem de ser, olha, desculpa lá qualquer coisinha... :))

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    1. CF, de facto, as palavras foram milimetricamente escolhidas - bem ou mal - com intenso conhecimento. Quanto ao futuro, pois, dê o primeiro grito quem nunca o sentiu incerto...

      (Também já te comentei, não tem mal algum, eu é que agradeço :) Beijinhos!)

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  4. TERESA PERALTAjaneiro 29, 2014

    A necessidade de que o outro reconheça, e que demonstre, através de palavras, que o destino, esse desconhecido, adquire um sentido obrigatório no amor que existe. Para mim, a coordenação entre imagem, palavras e musica faz até muito sentido.

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    1. Isso, Teresa, "a necessidade", ela própria que suplica e até pode não perdoar. A necessidade sentida pelos mais díspares caminhos... Uma chatice, é o que é :)

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  5. Paulo
    Gostei muito das três facetas do amor. As palavras que se dizem, as palavras que se desejam, as palavras que não se chegam a dizer.
    Tem razão Paulo!

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    1. Gostei muito que tenha gostado, Helena...
      Abreijo!

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